As cerca de 600 pessoas que lotaram o Teatro Nova Iguaçu Petrobras na noite de ontem (7) para o espetáculo Cabaré das Soltarinas foram surpreendidas com um ato contra o feminicídio no Brasil e particularmente nas cidades da Baixada Fluminense, onde elas residem.

O espetáculo criado e dirigido por Simone Viana , uma atriz, coreógrafa e professora de dança, contou a origem das tavernas parisienses do século XV, que evoluíram para locais de refeição com entretenimento. No final do século XIX, os cabarés se popularizaram como lugares de espetáculos de música e dança, muitas vezes com sátira social e política, como o famoso Moulin Rouge, fundado em 1889. Nos Estados Unidos, ganharam glamour com shows e música, e o termo “cabaret” passou a designar também o teatro de revista no Brasil.
As 25 mulheres que subiram ao palco do principal teatro de Nova Iguaçu para contarem a história do cabaré têm entre 40 e quase 80 anos de idade e a maioria participou de outros espetáculos com Simone Vianna. Elas criaram uma rede de apoio e se apresentam, sem fins lucrativos, em instituições e espaços públicos em eventos de solidariedade . Convidados, cinco bailarinos profissionais deram um show de gafieira no palco. O espetáculo também foi inclusivo:”pessoa com deficiência”, o palhaço André Paçoca subiu ao palco e dançou o bolero Bésame Mucho com Vivi Marchezini
O público ficou sabendo, por exemplo, que cabaré não é bordel (casa de prostituição) e sim local de entretenimento. O Cabaré das Soltarinas teve censura livre. Na plateia havia famílias tradicionais da sociedade iguaçuana e de outras cidades. Soltarinas com pais, avós, filhos, netos, crianças, adolescentes e jovens.
De uma semana para cá, o Cabaré das Soltarinas ganhou espaço na imprensa digital, painéis de LED da Outmídia no calçadão do centro comercial de Nova Iguaçu e foi notícia na coluna #Sextou, do Bom Rio (TV Globo). O portal Nova Iguasu Online foi um dos patrocinadores do Cabaré das Soltarinas.
Simone Vianna foi, no espetáculo, a dona do Cabaré. As Soltarinas entraram no clima do teatro de revista no Brasil criado por Walter Pinto no Rio de Janeiro. Elas lembraram histórias de vedetes famosas, como Dercy Gonçalves, Virgínia Lane, Berta Loram, Wilza Carla, Chiquinha Gonzaga, entre outras, além de personagens como Oscarito e Grande Otelo. O texto de Simone Vianna lembrou, ainda, as fofocas que rolavam naquela época.
Gritos contra a violência
No meio do espetáculo, Simone, em tom de protesto e cobrança de ações firmes e imediatas das autoridades, destacou a violência contra mulheres no Brasil, principalmente nas cidades da Baixada. Cada uma das Soltarinas levou para o palco manifestações contra os diferentes tipos de agressões às mulheres e depois todas desceram para a plateia, sob aplausos pela manifestação.
As frases em cartazes foram escritas com a mão. Todas elas exigiam respeito dos homens com as mulheres: “Não é Não”, “Se machuca, não é amor”, “Lugar de mulher é onde ela quiser, “Quem bate, um dia cai”, “Não se cale, fale!”, “Machismo mata, ” O verdadeiro amor dá asas, não correntes, “Basta !”, entre outras.
Citando dados da Organização Mundial da Saúde, as Soltarinas revelaram que os números da violência no Brasil são alarmantes: em 2024 foram registrados 1.492 casos de feminicídio e 3.870 tentativas. No Rio de Janeiro, uma em cada quatro mulheres vítimas de feminicídios moravam nas cidades da Baixada – e 64% das vítimas eram pretas.
Para as Soltarinas, o assunto é necessário e urgente.
Cancan, a grand finale
O espetáculo das Soltarinas teve seu grand finale com o esperado cancan , uma dança francesa energética e acrobática, associada aos cabarés de Paris como o Moulin Rouge, caracterizada por pontapés altos e piruetas. Originou-se em 1830 e tornou-se popular na década de 1840, sendo conhecida por suas corografias ousadas, tanto para dançarinos quanto para dançarinas, que exibem habilidade, flexibilidade e ritmo.