Uma campanha feijão com arroz

novembro 12, 2020 /

 

   *Paulo Cezar Pereira

 

Perderam aqueles que apostaram  na nacionalização da campanha nestas eleições municipais. Pelo menos neste primeiro turno, muito provavelmente por causa da pandemia e pelo que significam as eleições municipais, locais tradicionais, com o a Cinelândia e o calçadões dos centros comerciais de Nova Iguaçu, Nilópolis e de Duque de Caxias estão vazios de candidatos e de militantes.

Bolsonaristas e lulistas cairam na real diante da nova realidade:  a população vai às urnas neste domingo para eleger candidatos a prefeito comprometidos apenas em cuidar das cidades, especialmente da saúde, da educação, da mobilidade e de outras questões que mexem com a qualidade de vida. As questões nacionais, como o desemprego e a alta de alguns alimentos da cesta básica, não contaminaram o eleitor.

A crise vivida pelo estado do Rio de Janeiro com o asfastamento do governador Wilson Witzel ( PSC) do Palácio Guanabara também esvaziou a campanha. Sem a máquina estadual, esfacelada pela corrupção, os candidatos a prefeito e à Câmara de Vereadores perdem apoios importantes e deixam de conquistar votos. Witzel está afastado por corrupção e está sendo submetido a um Tribunal Misto. Nada indica qualquer possibilidade do ex-juiz retomar o poder.

 

 

Por tudo isto, mas principalmente pela altíssima rejeição registrada por institutos de pesquisas, Marcello Crivella, do Republicanos, está correndo o risco de perder a vaga no segundo turno para Martha Rocha, do PDT,  ou Benedita da Silva, do PT. As pesquisas de intenção de votos para prefeito do Rio mostram que apenas Eduardo Paes, do Democratas, consolidou presença no segundor turno. Paes não fala de Bolsonaro, nem contra e nem a favor. E o “mito” virou a tábua de salvação da estatégia de Crivella nesta reta final.

Estão bem  avaliados em pesquisas de intenções de votos prefeitos como Rogério Lisboa ( Nova Iguaçu), Waguinho ( Belford Roxo) e Washington Reis ( Duque de Caxias). A expectativa deles é a vitória que garanta a reeleição ainda no primeiro turno nestes municípios da Baixada Fluminense com mais de 200 mil eleitores. Outros prefeitos que fizeram o dever de casa ao longo dos últimos quatro anos também caminham para eleição de seus candidatos: Rodrigo Neves, de Niterói, com Alkex Grael, e Farid Abraão, de Nilópolis, com o sobrinho e vereador  Abraão David Neto.

Washington Reis quer continuar prefeito

Waguinho aposta que terá mais de 80% dos votos válidos

 

Não é difícil perceber que o eleitor desta campanha não está dando importância ao fato de o candidato ser ou não apoiado, por exemplo, por Jair Bolsonaro ou qualquer outra liderança. O PT de Nova Iguaçu, representado pela candidatura de Sebastião Berriel, um lulista de carteirinha, não trouxe o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao calçadão para pedir votos para os candidatos do partido.

Rogério Lisboa quer mais quatro anos de poder

 

Diante da realidade da magra audiência do horário eleitoral na televisão e do enfraquecimento do partido, Berriel mudou de estratégia. Agora, pelas redes sociais, critica o abandono das obras de construção de um viaduto que ligará os dois lados de Comendador Soares e apresenta propostas para melhorar a mobilidade em Nova Iguaçu.

A candidatura da deputada federal Rosangela Gomes, do Republicanos, também, até aqui,  não empolgou o eleitorado que dois anos atrás votou em Bolsonaro para Presidente da República. Ela contava com a indicação de Bolsonaro ao seu nome como candidata à prefeitura de Nova Iguaçu e a partipação dele na campanha. No entanto, a campanha de Rosangela não conseguiu atrair o eleitorado bolsonarista, os conservadores, a classe média, limitando-se ao eleitorado fiel da Igreja Universal, base eleitoral da candidata que tenta pela segunda vez ser prefeita da cidade que já lhe deu mandatos de vereadora e de deputada estadual.

Rosangela Gomes, Professora Leci ( Psol) e Max

 

Ao contrário do candidato Dr. Letinho ( PSC), que não tem dinheiro para o básico de uma campanha, Rosângela não pode se queixar de falta de ajuda financeira. Ela  já recebeu do Republicanos  mais de R$ 1 milhão do fundo partidário,  mas  está patinando nas pesquisas, atrás de Max Lemos, do PSDB, e de Carlos Augusto, do PSD.  Até mesmo o deputado Hélio Lopes, o Hélio negão, que tentou se eleger vereador por Austin e não obteve êxito em 2008, até agora não apareceu por Nova Iguaçu para dar um empurrão na campanha de sua companheira.

 

*Paulo Cezar Pereira é Jornalista