Qual a importância de mais mulheres na política ?

dezembro 4, 2020 /

 

*Ada Angela

 

No Brasil até o ano de 1932 a mulher não podia sequer votar, quanto mais participar de um pleito eleitoral. Para mudar esta realidade muitas mulheres se associaram na época, inconformadas com esta situação, dando início ao chamado MOVIMENTO SUFRAGISTA.

Tal movimento surgiu como resposta à exclusão das mulheres da política, onde estas perceberam que as muitas desigualdades legais, econômicas e educacionais que elas sofriam jamais seriam corrigidas se somente os homens estivessem no poder. Neste contexto, mulheres, de diferentes classes, raças e graus de instrução se uniram para lutar pelo mesmo objetivo, pois apesar das diferenças, todas eram igualmente excluídas das decisões políticas.

 

Merece destaque nesta luta duas mulheres imprescindíveis ao movimento: LUIZA ALZIRA TEIXEIRA SORIANO e BERTHA LUTZ. A primeira foi a primeira mulher eleita prefeita de um município e a segunda foi a grande líder do movimento sufragista, sendo inclusive reconhecida pelo Chefe de Polícia BATISTA LUZARDO como a “legítima paladina” da campanha de reivindicação pelo voto feminino. (vide carta em anexo)

É notório que a luta pelo voto feminino foi protagonizada por mulheres, afinal, não se deveria esperar que homens guerreassem estas lutas! E por este mesmo motivo, atualmente, a luta por MAIS MULHERES NA POLÍTICA se justifica! Só haverá mais políticas públicas para mulheres quando tivermos mais mulheres ocupando espaços de gestão política.

Por isso é fundamental estabelecermos políticas públicas de incentivo e ampliação da autonomia da mulher, possibilitando à ela alcançar mais capacitação no mercado de trabalho e acesso aos mais diversos serviços de toda natureza, tais como: serviços jurídicos, de saúde integral, educação, formação profissional, etc. Aliado à isso, urge a demanda de uma rede de instituições para proteção da mulher vítima de violência.

 

Sensíveis à estas demandas, diversas esferas de governo estão ampliando o protagonismo da mulher na política. O governo federal adotou o Ministério dos Direitos Humanos, da Mulher e da Família, comandado pela Ministra Damares Alves. Diversos estados e municípios criaram Secretarias da Mulher e da Família e recentemente Prefeitos eleitos, antes mesmo de assumirem, já anunciaram pastas comandadas por mulheres, como por exemplo, Juninho Bernardes em Paty do Alferes e Eduardo Paes na capital do Rio de Janeiro.

Além disso, vimos o crescimento das mulheres eleitas em 2020, destacando o fato de que todas as capitais brasileiras elegeram vereadoras e em 6 delas as mulheres foram as mais votadas, porém, o percentual de prefeitas eleitas se manteve em apenas 12%, demonstrando que no geral o avanço foi tímido e ainda há muito para se conquistar.

Precisamos nos conscientizar de que a participação feminina na política deve ser fomentada por todos os setores da sociedade, para atender as demandas de igualdade, representatividade, democracia e justiça.

 

https://oglobo.globo.com/rio/mulheres-ganham-espaco-na-nova-prefeitura-de-eduardo-paes-saiba-quem-sao-24778169

 

 https://odia.ig.com.br/paty-do-alferes/2020/11/6034208-vamos-ampliar-os-cargos-de-gestao-feminina-diz-prefeito-reeleito-em-paty.html

 

*Ada Angela é Inspetora de Polícia Civil há 18 anos ,  formada e  pós graduada em Direito.