Júlio Lopes volta a ser deputado na vaga de Juninho do Pneu, que decidiu-se pela secretaria estadual de Infraestrutura

fevereiro 9, 2021 /

 

*Paulo Cezar Pereira

 

 

O deputado federal  Rogério Teixeira Júnior, o Juninho do Pneu, do Democratas, já decidiu-se em trocar Brasília pelo secretariado estadual. Ele informou hoje ao Nova Iguassu Online que dirá sim ao convite do governador em exercício Cláudio de Castro para comandar a secretaria de Infraestrutura, uma Pasta muito cobiçada pelos políticos, particularmente pelos que tem reduto nas cidades da Baixada Fluminense, por conta de sua capilaridade e recursos.

É possível que a conversa para os acertos finais entre Castro e Juninho  – que envolverão as prioridades do governo na Baixada e o tamanho do poder do futuro secretário – ocorra amanhã, após o regresso de Brasília do mais novo chefe de Juninho, empresário do ramo de entretenimento em Nova Iguaçu.

A parte política da saída de Juninho da Câmara dos Deputados já foi bem encaminhada. Embora longe do Congresso Nacional,  Juninho acertou sua substituição pelo suplente Júlio Lopes (PP-RJ) e com a ida para o governo estadual não perde o título de vice-prefeito de Nova Iguaçu, embora até hoje a Câmara não tenha marcado o dia da “posse” dele. Uma decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio permitiu a Juninho do Pneu permanecer deputado, deixando para o presidente da Câmara dos Vereadores, Eduardo Reina, esta tarefa quando o prefeito Rogério Lisboa, do PP,  tiver que se afastar do cargo por qualquer motivo. O mérito do recurso contra esta benevolência da Câmara ainda não foi julgado.

Ex-deputado federal e ex-secretário de Transportes do Rio na gestão de Sérgio Cabral, Júlio Lopes foi alvo de buscas em uma nova etapa da Lava Jato fluminense deflagrada na manhã do dia 7 de dezembro último, no Rio. Batizada de ‘ Fim do Túnel ’, a operação mirava propinas de R$ 14,7 milhões supostamente recebidas entre os anos de 2010 e 2017. Júlio Lopes será deputado federal pelo quinto mandato.

Juninho do Pneu estava  sob fogo cruzado desde que decidiu adiar sua posse como vice-prefeito de Nova Iguaçu. Os suplentes Marcos Soares (DEM), Júlio Lopes (PP) e Leonardo Picciani (MDB) formaram uma força-tarefa para obrigar o moço a assumir o cargo para o qual foi eleito em dezembro. O Progressistas entrou na Justiça contra o decreto legislativo da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu que permitiu a Juninho manter a vaga de vice-prefeito na reserva, enquanto continua batendo ponto em Brasília.

Juninho aposta que sua ida para o secretariado ampliará a aliança dos prefeitos da Baixada com Cláudio Castro e resultará em benefícios para a população de  Nova Iguaçu, cidade que lhe deu dois mandatos de vereador e o de deputado federal em 2018. Falta, portanto, o governador em exercício garantir a Juninho do Pneu o butim que ele ganhará nas articulações que estão sendo feitas para viabilizar a construção da candidatura majoritária em 2022. E também falta a Juninho do Pneu explicar que a Câmara dos Deputados lhe permitiu receber no ano passado mais de R$ 400 mil de verba indenizatória. Ele acabou sendo o “campeão” dessa imoralidade legalizada.

A eleição de Eduardo Reina, fiel escudeiro de Lisboa, para presidente da Câmara de Nova Iguaçu faz parte da estratégia do PP de trabalhar o nome do prefeito de Nova Iguaçu para ser o companheiro de chapa de Cláudio Castro nas eleições do próximo ano.

Valdecy da Saúde, outro equilibrista

Valdecy da Saúde, à esquerda, no cartão de Boas Festas, com o prefeito Dr. João

 

Em São João de Meriti, o deputado estadual Valdecy da Saúde (PTC) também é mágico. Mas, por lá o malabarismo tem data para acabar. Pela Lei Orgânica do município, ele vai precisar decidir, até o próximo dia 11, se assume o posto de vice-prefeito, para o qual foi eleito, ou se continua dando expediente na Assembléia Legislativa.

*Paulo Cezar Pereira é jornalista