Infraestrutura do Futuro

maio 12, 2022 /

* Vicente Loureiro

O futuro das pessoas, cidades e empresas pode chegar mais rápido e melhor com a implantação da tecnologia 5G. Vai depender da qualidade e abrangência das infraestruturas utilizadas e, claro, dos custos, da forma de financiá-los e da segurança técnica, jurídica e institucional do modelo ou dos modelos de oferta de serviços adotados. Essa é a lição, em síntese, do evento organizado pelo Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Estado para discutir alternativas para inclusão digital, através do 5G, realizado esta semana no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Com a presença das Agências Brasileiras de Desenvolvimento Industrial e de Infraestrutura de Telecomunicações, de empresas de tecnologia e inovação e de concessionárias de serviços públicos, entre outros convidados, foram apresentadas soluções para democratização do acesso a essa nova tecnologia em todo território fluminense, já disponíveis e com parcerias institucionais possíveis de serem implementadas, capazes de, no menor prazo e melhor custo-benefício, garantir que o pioneirismo do Estado, o primeiro aprovar legislação específica para chegada do 5g, repita-se agora na instalação da infraestrutura e equipamentos necessários a sua efetiva implementação.

É preciso, em primeiro lugar, de acordo com resultado das apresentações, alargar o conhecimento sobre os impactos e capacidade de aceleração das transformações que a chegada do 5G vai gerar na vida das pessoas, cidades e empresas. Alguns falaram em revolucionar a prestação dos serviços públicos de segurança, saúde, educação, etc. Outros, em aumentar a competitividade da economia regional, fruto da evolução rápida prometida pela internet das coisas. Outros, ainda, de como o desenvolvimento de novos aplicativos podem melhorar a gestão dos municípios e dos negócios. Deu para perceber que os mais ágeis na corrida por tais inovações irão certamente aproveitar melhor as oportunidades e investimentos gerados.

Representantes de dezenas de municípios do Rio participaram do Fórum sobre a chegada do G5 ao Brasil

 

A criação do Fundo Soberano, produto da exploração do petróleo no Estado, apareceu também como um grande instrumento de alavancagem financeira para custear os investimentos necessários a democratização do acesso ao 5G, funcionando como Fundo Garantidor das operações. Sem dúvida, um ativo extra para aquisição e instalação dos equipamentos e componentes da infraestrutura exigida. O Estado do Rio, do ponto de vista institucional e financeiro, tem tudo para sair na frente e se utilizar dessa tecnologia na retomada do desenvolvimento de sua economia e do aperfeiçoamento da qualidade dos serviços em suas cidades de modo mais acelerado.

Há, segundo especialistas que estiveram presentes, alternativas tecnológicas distintas para funcionar como suporte dessa nova e disrupitiva tecnologia, que promete uma velocidade 100 vezes maior que as das anteriores: a 3G e 4G. Para tanto, exigirá 5 vezes mais antenas com muito menos cabos e fios, um alívio para a paisagem urbana já bastante poluída por eles. Apresentaram também, durante o evento, uma luminária, desenvolvida por empresa israelense capaz de utilizar a rede de iluminação pública como plataforma condutora do 5G a todas as áreas urbanizadas dos municípios, garantindo wi-fi público e com câmeras, microfones e sensores em condições de medir o trânsito, fluxo de pessoas e conectar as diversas redes de dados e informações existentes. E ainda iluminar a rua, sem precisar de novos cabos e antenas. Uma inegável e curiosa inovação.

Numa das fotos de Rafael Wallace, a secretária-executiva a do Fórum, Geyza Rocha, aplaude o presidente da Alerj, André Ceciliano

O Estado do Rio de Janeiro tem tudo para sair na frente e foi pioneiro na promulgação de legislação específica. Além disso, possui um Fundo Soberano que pode ajudar a viabilizar os investimentos necessários em infraestrutura. Tem a compreensão de que existem equipamentos de ponta já disponíveis, que podem garantir o acesso universalizado aos benefícios prometidos por essa nova tecnologia às populações urbanas e rurais, incluindo as residentes em assentamentos informais. Falta agora fazer acontecer.

* Vicente Loureiro, arquiteto e urbanista, doutorando pela Universidade de Lisboa, é o autor dos livros Prosa Urbana e Tempo de Cidade.