Bolsonaro, Dória e São Sebastião, protetor contra a peste, a fome e a guerra

janeiro 18, 2021 /

 

*Paulo Cezar Pereira

 

A última disputa política Jair Bolsonaro x João Dória, agora pelo protagonismo do início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, está mexendo com os católicos do Rio e  da Baixada e levando muita gente a pesquisar sobre a história do cristianismo e de seus mártires transformados em santos pela Igreja Católica.

Quem primeiro festejou , na semana passada, a divulgação, pelo governo federal, do dia 20 de janeiro, quarta-feira agora,  para o que seria o Dia D da vacina, foi Eduardo Paes, prefeito da Cidade do Rio de Janeiro.  Paes, carioca da gema, portelense e vascaíno, aplaudiu pelo Twitter a data, anunciada pelo ministro  Ricardo Pazuello, destacando que nesse dia o Rio , com suas milhares de vítimas fatais de covid-19, reverencia São Sebastião, seu padroeiro.

 Na foto, o prefeito Eduardo Paes ao lado do Cardeal Dom Orani Tempesta numa procissão de São Sebastião pelas ruas do Rio

Na Baixada Fluminense, o bispo de Nova Iguaçu,  principal  Diocese da região – que compreende  também as cidades de Nilópolis, Mesquita, Belford Roxo, Queimados, Japeri, Paracambi e o Distrito de Conrado, em Miguel Pereira – , Dom Gílson Andrade, foi além ao comentar a escolha de 20 de janeiro numa mensagem por WhatsApp:  “ É Dia de São Sebastião, protetor contra a peste,  a fome e a guerra”, informou do alto de sua sabedoria histórica.

Diante da aprovação, ontem,  pela Anvisa, dos pedidos de uso emergencial das vacinas CoronaVac e Oxford e por causa da pressão das ruas, dos governadores e prefeitos e dos próprios aliados do governo, o general Pazuello anunciou que a vacinação começa hoje  ( 18/01) mesmo, apesar da pouca quantidade garantida de doses:  6 milhões da CoronaVac para um país com mais de 200 milhões de habitantes e que já  registra mais de 200 mil mortes por conta da pandemia em menos de um ano.

Abro aqui um parentesis para ressaltar o excelente conteúdo científico dos cinco diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a condenação, ao vivo, pela televisão e canais de redes sociais, que todos fizeram dos grupos de negacionistas  que, via fake news, desorientam a população sobre a importância, a eficácia e a segurança das vacinas. Nossos técnicos demonstraram conhecimento científico e tranquilizaram o país. A cada um dos técnicos e servidores da Anvisa, a nossa gratidão e o reconhecimento num dia histórico.

Voltando, portanto, a São Sebastião, faz sentido lembrar dele nesta  pandemia do novo coronavírus que já matou mais de dois milhões de pessoas no mundo

São Sebastião nasceu em Narbona, na França, no ano de 256 da Era Cristã. Ainda jovem, mudou-se com a família para Milão, na Itália, cidade de sua mãe. Alistou-se no exército de Roma e tornou-se o  soldado predileto do imperador Diocleciano. Conquistou o posto de comandante da Guarda Pretoriana, a guarda pessoal do Imperador.

Secretamente, Sebastião converter-se ao cristianismo e valendo-se do alto posto militar, fazia visitas frequentes aos cristãos presos que aguardavam para serem levados para o Coliseu, onde seriam devorados pelos leões, ou mortos em lutas com os gladiadores.  Com palavras de ânimo, e consolo, fazia os prisioneiros acreditarem que seriam salvos da vida após a morte, segundo os princípios do cristianismo.

Prisão e Martírio de São Sebastião

A fama de benfeitor dos cristãos se espalhou e Sebastião foi denunciado ao imperador. Este, que perseguia os cristãos do seu exército, tentou fazer com que Sebastião renunciasse ao cristianismo, mas diante do imperador, Sebastião não negou a sua fé e foi condenado à morte. Seu corpo foi amarrado a uma árvore e alvejado por flechas atiradas por seus antigos companheiros, que o deixaram aparentemente morto. Resgatado por algumas mulhere lideradas pela cristã chamada Irene, foi levado sob seus cuidados e conseguiu se restabelecer.

Depois de recuperado, São Sebastião continuou evangelizado e indiferente aos pedidos dos cristãos para não se expor, apresentou-se ao imperador insistindo para que acabasse com as perseguições e mortes aos cristãos.  Ignorando os pedidos, desta vez, Diocleciano ordenou que o açoitassem até a morte, e depois seu corpo fosse jogado no esgoto público de Roma, para que não fosse venerado como mártir pelos cristãos. Era o ano 287 da Era Cristã.

Culto a São Sebastião

Mais uma vez, seu corpo foi recolhido por uma mulher chamada Luciana, a quem pediu em sonho que o sepultasse próximo das catacumbas dos apóstolos. No século IV, o imperador Constantino, que se converteu ao cristianismo, mandou construir, em sua homenagem, a Basílica de São Sebastião, perto do local do sepultamento, junto à Via Appia, para abrigar o corpo de São Sebastião. Seu culto iniciou-se nesse período,

Conta-se que nessa época, Roma estava sendo assolada por uma terrível peste e que a partir do translado das relíquias de São Sebastião a epidemia desapareceu. A partir desta época, São Sebastião passou a ser venerado como santo padroeiro contra a peste, a fome e a guerra.

Durante a Idade Média, a igreja a ele dedicada tornou-se centro de peregrinação e até hoje recebe os devotos e peregrinos de todas as partes do mundo. Sua festa é celebrada no dia 20 de janeiro. Um dos temas preferidos dos pintores do Renascimento, o martírio de São Sebastião foi retratado por vários artistas, entre eles, Bernini, Perugino, Mantegna e Botticelli. Em geral, o corpo é mostrado atravessado por flechas.

 

*Paulo Cezar Pereira é Jornalista