André Ceciliano é candidato único para continuar presidente da Alerj

janeiro 10, 2021 /

 

*Paulo Cezar Pereira

 

 

O governador em exercício deu o pontapé inicial para André Ceciliano permanecer Presidente da Assembléia Legislativa do Rio. Numa entrevista ao jornalista Ricardo Bruno, do Jogo do Poder, gravada na última quinta-feira e que vai ao ar hoje ( 10/01), às 23h, pela CNT, Cláudio Castro manifestou apoio ao deputado petista para continuar no comando da Alerj.

Ao contrário do então poderoso governador Wilson Witzel, que ficou distante da disputa pela presidência da Alerj quando tinha o poder enquanto a candidatura de André Ceciliano crescia nos bastidores, Cláudio Castro, que conhece de perto o ambiente e as preferências da grande maioria do parlamento fluminense, decidiu tornar público seu apoio à manutenção no cargo do atual presidente da Assembleía do Rio.

da esquerda para direita, Cláudio Magnavita, Cláudio Castro e Ricardo Bruno

De acordo com Castro, a permanência de Ceciliano à frente do parlamento é essencial para a manutenção da harmonia entre os poderes, que, segundo ele, tem sido fundamental para administração estadual.

– O deputado André Ceciliano é nosso parceiro no parlamento, sempre pronto a ajudar quando o que está em jogo é o interesse público. Recentemente, conseguimos recuperar mais de R$ 2 bilhões de créditos tributários junto à Petrobras por conta da ação rápida e eficiente da Alerj com aprovação de projeto que permitiu a operação. É muito importante que ele continue na presidência – elogiou Castro na entrevista que contou também com a participação do jornalista Cláudio Magnavita. publisher do Correio da Manhã.

 

Um candidato sem adversários

A eleição para a presidência da Mesa Diretora da Alerj ocorrerá em 2 de fevereiro e até agora André é canddidato único.

 

André Ceciliano não tem adversários nesta eleição porque, ao longo da pandemia, no ano passado, enfrentou com êxito um ano desafiador e de muito aprendizado. Cumpriu com louvor seu papel. O parlamento flumimense reagiu frente à maior pandemia da história da humanidade em um século.

Quando as medidas de isolamento contra a Covid-19 se impuseram, em 13 de março, a Alerj deu o exemplo e foi a primeira Casa Legislativa do Brasil a adotar protocolos de segurança. Mas se alguém apostou que a Alerj iria por isso trabalhar ou produzir menos, errou redondamente. Pois os trabalhos não só continuaram como, pelo contrário, foram intensificados.

Sem qualquer gasto extra, garante Ceciliuano, a Assembléia se adaptou em prazo recorde aos novos tempos. Desenvolveu internamente sistemas que asseguraram a realização de votações e audiências públicas por meio de videoconferências que funcionaram perfeitamente. O índice de presença nas sessões remotas foi altíssimo. E elas puderam ser acompanhadas pela TV Alerj e via internet, em tempo real.

A produtividade, em vez de diminuir, aumentou. A Alerj fez ao longo de 2020, nada menos que 350 sessões extraordinárias, o que representa 872% mais sessões do que as realizadas em 2019. Dos mais de 1.600 projetos de lei apresentados, a maioria foi relacionada ao enfrentamento à Covid-19. Desse total, 435 se tornaram Leis de proteção à vida e do direito do cidadão.

Deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, autor do pedido de impeachment de  Witzel

As comissões da Casa emitiram 5.482 pareceres a projetos de lei, um aumento de 15% comparado a 2019. Foram incontáveis reuniões com cidadãos comuns, com a sociedade civil organizada, sindicatos, autoridades, empresários, chefes de poderes, sempre na busca de soluções para a crise gravíssima que se encontra o Rio de Janeiro, estado recordista em perdas de emprego com carteira assinada no Brasil.

A Casa  economizou, com ações de auteridade e controle nos gastos,   quase 500 milhões de reais do seu Orçamento de 2020.  Desse total, R$ 300 milhões foram repassados ao Estado para pagamento do décimo terceiro salário dos servidores. E mais: a Alerj repassou recursos para programas de segurança pública, para contratação de policiais que atuam no Segurança Presente e recentemente doou R$ 25 para a Fiocruz.

Papel fiscalizador

A atuação do Legislativo fluminense, entretanto, foi muito além da elaboração de leis durante a pandemia, discussões sobre o futuro do Rio e devoluções de duodécimos. A Alerj cumpriu, com louvor, seu papel fiscalizador. Diante das denúncias de irregularidades nos contratos firmados pela Secretaria de Estado de Saúde durante a pandemia, foram abertas duas investigações de suma importância. A primeira foi a Comissão Especial de Fiscalização dos Gastos no Combate ao Coronavírus. Um trabalho brilhante que produziu um relatório de mais de 600 páginas, após analisar centenas de  planilhas, contratos e ouvir secretários e ex-secretários da pasta, além dos representantes das Organizações Sociais da Saúde acusadas das irregularidades.

Ceciliano inovou com as sessões remotas em 2020

A segunda foi a Comissão Especial Processante que resultou no afastamento do governador Wilson Witzel, decisão que contou com a unanimidade dos votos dos deputados presentes àquela sessão. ” Não nos orgulhamos de termos sido obrigados a afastar um governador democraticamente eleito, mas era nossa obrigação, a coisa certa a ser feita mediante tudo o que foi revelado.  Um episódio que não nos orgulha, mas que entra nos anais da história do Estado do Rio de Janeiro e do ano de 2020, sem precedentes em nossas vidas” salienta Ceciliano.

Comunicação e lições da doença

Apesar do isolamento social, a pandemia fez com que a Alerj ampliasse a sua comunicação, a capacidade de escuta e, sobretudo, de diálogo. A instituição cresceu nas redes sociais.  Seu site e o canal da TV Alerj nunca foram tão acessados como em 2020. ” E isso tem uma razão: ocorreu porque as informações  foram relevantes, porque nosso trabalho teve importância e fez a diferença” destaca Ceciliano.

Através do Fórum de Desenvolvimento Estratégico, importante ferramenta de formulação de Políticas Públicas, a Alerj manteve  diálogo permanente com a inteligência do estado, reunida nas universidades, nos sindicatos, nas associações de classe, na sociedade civil organizada. E por meio da nossa recém criada Assessoria Fiscal, coordenada pelo economista Mauro Osório, foram embasadas todas as discussões do Fórum Rio de Desenvolvimento, pensando soluções para que o estado não só saia da crise, mas tenha suas vocações mais bem aproveitadas em prol da população.

A Alerj se uniu ao Executivo e fez pressão não apenas para que o Regime de Recuperação Fiscal fosse prorrogado em Brasília, mas que o Supremo Tribunal Federal não votasse a partilha dos royalties para todos os municípios da federação, o que seria a pá de cal para o Rio de Janeiro.  A Alerj foi incansável. Atuou com firmeza, tomou decisões por vezes difíceis, mas cumpriu seu papel.

– Ser deputado, em 2020, exigiu maturidade e compromisso, além de empatia. Empatia que, segundo a definição do Aurélio, significa se colocar no lugar do outro. Esse foi o grande exercício de 2020, a grande lição que essa doença nos trouxe. Passamos a valorizar mais a vida, o abraço, o contato humano. Perdemos companheiros, amigos e parentes, gente que morreu em hospitais públicos e privados, gente rica e gente pobre, porque esse vírus não faz distinção social.  Partiram para a outra dimensão os deputados Gil Vianna e João Peixoto. A Alerj perdeu dois grandes deputados e eu, dois grandes amigos. Eles e mais de 195 mil brasileiros já foram vítimas fatais dessa doença perversa.

 

 

  *  Paulo Cezar Pereira é Jornalista