Ao menos cinco famílias de meninas classificadas em categorias de cunho sexual em uma lista on-line por estudantes do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, fizeram registros de ocorrência até a manhã desta quinta-feira, 9. O caso veio à tona na véspera, quando a própria instituição de ensino registrou um boletim e denunciou a plataforma usada para criar o ranking (tierlist). Cerca de 65 alunas foram divididas em GOAT (sigla em inglês para “a melhor de todos os tempos”), comeria no lucro, bêbado vai, me arrependi depois e nem olharia.
As meninas, de idades de 14 a 15 anos, começaram a ser ouvidas na quinta-feira, 8, pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav), à frente da investigação. Em casos como esse, o depoimento das vítimas normalmente é colhido apenas uma vez para evitar a chamada “revitimização”, reduzindo o risco de reviverem a história repetidamente e de que sofram novos danos psicológicos.
O diretor da escola, uma das mais tradicionais do Rio de Janeiro, também foi ouvido na quinta. Os criadores da lista, que já foi tirada do ar, têm entre 14 e 17 anos. Eles podem responder por crimes análogos a injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame e constrangimento. Outras acusações podem surgir ao longo das diligências.
Em nota, o Colégio Cruzeiro afirmou que repudia qualquer atitude que exponha estudantes. Leia o comunicado completo abaixo:
“O bem-estar e a segurança de nossos alunos são prioridades absolutas no Colégio Cruzeiro e repudiamos qualquer atitude de exposição que os afetem. Assim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorrência, exigimos a remoção do conteúdo junto à plataforma — o que já foi feito —, alertamos as famílias e iniciamos o apoio integral às alunas e suas famílias.
Entendemos que o papel da escola vai além do ensino acadêmico, incluindo a formação integral do ser humano. A conduta ética e a responsabilidade digital são temas recorrentes da sociedade contemporânea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos três mil alunos, campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros.
Nossa postura reflete a tradição e os valores de uma instituição que, ao longo de seus 164 anos, formou gerações pautadas pelo respeito e pelo desenvolvimento humano integral. Com base nos princípios e valores educacionais, a escola permanece atenta às medidas pedagógicas que lhe cabem para o zelo e preservação do ambiente formativo.
Quanto à autoria e punição, no âmbito penal, salientamos que as autoridades competentes estão cumprindo o seu papel investigativo.”
Com informações da Veja
