Cláudio Castro e outros 17 governadores fazem reparos às declarações de Bolsonaro

março 1, 2021 /

Governadores de 18 Estados, entre os quais Cláudio Castro, do Rio, divulgaram, na manhã desta segunda-feira (1), carta rebatendo uma publicação feita pelo presidente Jair Bolsonaro durante o final de semana na qual ele detalha os valores que teria repassado às unidades federativas ao longo de 2020.

Nos últimos dias, aliados do chefe do Executivo têm citado o montante destinado a Estados e municípios para responder a críticas sobre a gestão do governo federal no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

“Em meio a uma pandemia de proporção talvez inédita na história, agravada por uma contundente crise econômica e social, o Governo Federal parece priorizar a criação de confrontos, a construção de imagens maniqueístas e o enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população”, diz o documento.

A carta é assinada pelos governadores Renan Filho (Alagoas), Waldez Goés (Amapá), Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará), Renato Casagrande (Espírito Santo), Ronaldo Caiado (Goiás), Flávio Dino (Maranhão), Mauro Mendes (Mato Grosso), Helder Barbalho (Pará), João Azevêdo (Paraíba), Ratinho Júnior (Paraná), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí), Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), João Doria (São Paulo) e Belivaldo Chagas (Sergipe).

Os gestores estaduais explicam que os valores apresentados por Bolsonaro são repasses previstos na Constituição, como Fundo de Participação dos Estados e Municípios, Fundeb e royalties. “Adotando o padrão de comportamento do Presidente da República, caberia aos Estados esclarecer à população que o total dos impostos federais pagos pelos cidadãos e pelas empresas de todos Estados, em 2020, somou R$ 1,479 trilhão. Se os valores totais, conforme postado hoje, somam R$ 837,4 bilhões, pergunta-se: onde foram parar os outros R$ 642 bilhões que cidadãos de cada cidade e cada Estado brasileiro pagaram à União em 2020?”, questionam.

Em outro trecho da carta, os governadores reforçam a necessidade de adoção de medidas restritivas para conter o avanço da Covid-19, iniciativa rechaçada por Bolsonaro. Na quinta-feira (25), o presidente da República disse que o auxílio emergencial deveria ser pago à população por governantes que têm adotado a política do “fecha tudo e vai para casa”. “Aquela política do ‘fecha tudo e vai para casa’ é muito boa para quem tem um bom dinheiro guardado, mas para mais de 40 milhões de pessoas, obrigadas a ficar em casa, foi um desastre. Tem muita gente que quer que a gente continue com isso [o pagamento do auxílio emergencial] eternamente. Isso não é dinheiro que está no cofre, é endividamento. A população quer voltar a trabalhar. Infelizmente, um ou outro governador, um ou outro prefeito, ainda teimam em baixar decretos [com o fechamento de atividades não essenciais]. Quem quer auxílio emergencial e a cidade está fechada, vai cobrar do prefeito, do respectivo governador, já que eles querem que você fique em casa eternamente e querem mandar a conta para nós pagarmos. Isso aí não existe. Se essa política demorar muito, as consequências danosas chegam para todo mundo. Queremos a volta da normalidade”, afirmou em sua live semanal.

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), disse que a informação de que o Rio de Janeiro teria recebido R$ 76 bilhões em repasses do governo federal não é inteiramente verdadeira.

“Olha, eu acho que tem um erro de informação ali. A gente tem que entender o que é transferência obrigatória e o que é transferência do governo federal. Eu transfiro 25% do ICMS e uma parte do IPVA para os municípios e nem por isso eu estou dando dinheiro para o município. Aquilo é um direito dele. Eu acho que ali quem pegou a conta quis aumentar o bolo, até de uma forma precoce e até um pouco irresponsável, porque parece que os governos estão nadando em dinheiro e isso não é verdade. Está misturado fundo de participação de estados, fundo de participação de município, Fundeb, SUS”, declarou depois da cerimônia de lançamento da festa de 90 anos do Cristo Redentor.

Segundo Castro, não seria possível o Rio ter recebido esse montante. “É uma conta que não faz o menor sentido. Com certeza vem em péssima hora, parece que gera mais uma carga de briga e de confusão. Espero que a gente possa não ter mais divulgações como essa que só causam briga e, com certeza, separam num momento que a gente tem que estar trabalhando unido”, completou.

Foto: Rogério Santana/Divulgação

Aloma Carvalho