Cinema popular de Queimados estreia com sessão gratuita neste sábado

junho 25, 2022 /

Com direito a pipoca e refrigerante, iniciativa do Projeto Professor Fábio Castelano exibe longa de animação na Quadra do Cantão, a partir das 18h30

Os moradores de Queimados, na Baixada Fluminense, terão uma opção de programa diferente para o fim de semana. A partir das 18h30 deste sábado (25), a Quadra Poliesportiva do bairro Cantão/Nossa Senhora da Conceição vai receber a primeira sessão do Cinema Popular Roberto Ferreira Lopes, iniciativa criada para democratizar o acesso da população da cidade à sétima arte de forma gratuita e mais próxima de casa. Para a programação da noite, o longa escolhido foi a animação “Red: crescer é uma fera”, que promete atrair espectadores de todas as idades para um momento de lazer e cultura popular em um espaço público.

De acordo com um dos idealizadores da ação, professor Felipp Castelano (32), a intenção é levar diversão e conhecimento a quem não tem oportunidade de consumir cinema no cotidiano, seja por limitações financeiras ou geográficas. Por isso, quem comparecer à sessão deste sábado vai saborear, além de muitas risadas, a experiência completa: os espectadores ganharão delícias tradicionais das salas de cinema, como pipoca e refrigerante.

 

“O direito à cultura consta no artigo 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas, na prática, nos perguntamos se esse direito vinha sendo respeitado em nossa cidade. A resposta, infelizmente, é que não. Queimados não tem uma sala de cinema sequer. Eu mesmo, só tive acesso a uma sessão aos 18 anos porque não tinha condição de pagar por essa arte. Por isso desenvolvemos essa ideia, que queremos levar a todos os bairros o quanto antes”, declarou o educador, que mantém, graças ao Projeto Professor Fábio Castelano, que coleciona diversas ações voltadas à ampliação das oportunidades de educação e cultura para os jovens queimadenses.

A previsão é de que os próximos bairros contemplados sejam o Morro do Kisuco e o Fanchem, que por serem muito populosos, apresentam um grande número de crianças e adolescentes. “Começamos pelo Cantão porque a galera é bem animada e curiosa com ações que já vínhamos fazendo, como a geladeira literária – que consiste na oferta gratuita de livros em locais públicos dentro de uma geladeira grafitada -, as rodas de poesia, entre outras movimentações do projeto. Mas vamos continuar percorrendo todas as regiões de Queimados para levar diversão e conhecimento, que tem potencial de transformar a visão de mundo de uma pessoa para sempre”, afirma Castelano.


Homenagem à figura icônica da cultura local

Além de tirar do papel um sonho antigo para oferecer mais cultura aos queimadenses, Castelano explica que o nome da ação itinerante carrega uma dose extra de emoção em homenagem a um grande representante da cultura no município.

“O Cinema Popular leva o nome de um cara que lutou muito para a preservação do Teatro Municipal de Queimados, o Senhor Roberto. Ele, que nos dava toda atenção, todo suporte e todo puxão de orelha necessário em todas as ações que inventávamos, sempre foi favorável à abertura do teatro à população. Seu Roberto sempre quis que todos tivessem a oportunidade de conhecer as artes, de se emocionar com elas. Infelizmente, nosso querido foi uma das quase 700 mil vítimas fatais da Covid-19 no país. Nosso carinho fica registrado neste singelo batismo”, conta o professor.

Formado em Letras, Castelano conta que nasceu em Japeri mas mora em Queimados desde os quatro anos de idade. O amor pela cidade é tanto que foi eternizado em uma tatuagem no braço. Hoje, o maior desafio apontado por ele para desenvolver ações culturais acessíveis aos moradores é a falta de apoio. O projeto não conta com incentivo governamental de nenhuma esfera e, por isso, depende de doações de entusiastas da causa e patrocinadores simpáticos ao movimento.

“A meta é conseguir apoio suficiente para ampliar nossas ações e ajudar a mudar a perspectiva dos jovens da periferia. Nós crescemos na Baixada Fluminense e somos inconformados com essa realidade de ‘cidade-dormitório’, sabemos que temos potencial para ser muito mais. Por isso, lutamos pela literatura, pelo teatro, pela música e pela arte de maneira geral. Todos merecem ter acesso a esse universo transformador”, conclui.

Quem quiser contribuir com o projeto ou conhecer mais sobre suas ações, pode acessar o perfil @projetoprofessorfabiocastelano ou entrar em contato com os organizadores pelo e-mail projetoprofessorfabiocastelano@gmail.com.

Animação aborda mudanças que adolescência traz

Com produção da Disney e da Pixar, “Red – Crescer é uma Fera” conta a história de Mei Lee (voz de Rosalie Chiang na versão original), uma garota de 13 anos vivendo o caos típico da adolescência. Mas além de precisar lidar com a mãe superprotetora (voz de Sandra Oh na versão original) e as mudanças em seu corpo e relacionamentos, Mei tem outro pequeno problema: sempre que se emociona demais (tipo TODA HORA), ela se transforma em um panda-vermelho gigante! Direção de Domee Shi (vencedora do Oscar pelo curta da Pixar “Bao”) e produção de Lindsey Collins. A duração é de 1h40m e a classificação é livre.

 

Aloma Carvalho

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