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Chico Buarque, Raí e vencedores do Nobel de Economia assinam manifesto contra influência dos EUA na eleição e criticam Flávio

Flavio Bolsonaro Eua

Texto publicado no Le Monde e assinado por 30 personalidades importantes rechaça aproximação de Flávio Bolsonaro com Washington, cita questionamentos ao sistema eleitoral e pede reação contra interferências estrangeiras no pleito brasileiro

m grupo de 30 artistas, intelectuais, economistas e representantes da sociedade civil publicou no jornal francês Le Monde um manifesto no qual acusa os Estados Unidos de tentar influenciar a eleição presidencial brasileira e atribui ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) participação nesse processo.

Entre os signatários estão o cantor e compositor Chico Buarque, o ex-jogador Raí, o economista Thomas Piketty e os vencedores do Nobel de Economia Joseph Stiglitz e Philippe Aghion.

O próprio título do artigo sintetiza a posição defendida pelo grupo: “No Brasil, os Estados Unidos procuram influenciar a eleição presidencial, com a cumplicidade de um dos candidatos, Flávio Bolsonaro”.

Publicado na seção de opinião do diário francês, o manifesto apresenta uma avaliação política dos signatários sobre o cenário brasileiro e as relações entre o governo dos EUA e a candidatura de Flávio.

Questionamentos ao sistema eleitoral entram no manifesto

Um dos pontos destacados no documento são declarações de Flávio Bolsonaro sobre o sistema eleitoral brasileiro. O manifesto afirma que o senador lançou dúvidas sobre a confiabilidade do processo eleitoral antes da realização da votação.

Para os autores, esses episódios fariam parte de uma “preparação metódica para uma contestação eleitoral, independentemente de vitória ou derrota”.

O texto argumenta que questionar antecipadamente a legitimidade do processo eleitoral poderia criar condições para uma futura contestação de um resultado desfavorável. Trata-se de uma interpretação política apresentada pelos próprios signatários.

O manifesto também menciona a viagem de Flávio a Washington, onde se encontrou, em maio, com o presidente Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente J.D. Vance. Os autores citam ainda o pedido do candidato brasileiro por supervisão internacional da eleição.

Tarifas e retirada de vistos são citadas como pressão

Outro eixo do documento é a atuação do governo dos EUA em relação ao Brasil. Os signatários apontam medidas adotadas por Washington, entre elas tarifas comerciais e a retirada de vistos de autoridades brasileiras.

Segundo o manifesto, essas ações foram apresentadas pelo governo Trump no contexto de críticas ao tratamento dispensado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros opositores políticos.

Para os autores, as iniciativas representam uma pressão externa sobre o Brasil em meio ao processo eleitoral.

“Uma potência estrangeira procura abertamente influenciar o resultado de uma eleição soberana, com a participação ativa de um dos candidatos. Esse precedente, se não for fortemente denunciado, não ficará restrito ao Brasil”, ressalta o manifesto.

Grupo também critica legado de Jair Bolsonaro

O documento recupera ainda aspectos do governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Os signatários criticam a condução da pandemia de Covid-19 e o posicionamento que classificam como “contra os movimentos negros e indígenas, as mulheres e as pessoas LGBTQIA+”.

Na avaliação apresentada no artigo, a candidatura de Flávio Bolsonaro representaria uma continuidade do projeto político do pai.

O manifesto também aborda as consequências institucionais que os autores associam a uma eventual continuidade desse projeto. Para os signatários, a eleição brasileira definirá “se a maior democracia da América Latina continuará a ser uma democracia”.

Programa econômico também é alvo de críticas

As críticas não se limitam às questões institucionais. O manifesto também contesta propostas econômicas atribuídas a Flávio Bolsonaro.

Os autores mencionam austeridade fiscal, redução da participação do Estado na economia, privatizações e diminuição da carga tributária. Na interpretação dos signatários, essas medidas poderiam enfraquecer políticas públicas e de redistribuição de renda e ampliar desigualdades sociais.

O grupo relaciona essa discussão ao debate promovido pelo Brasil durante a presidência do G20, em 2024, quando o país defendeu internacionalmente a tributação mínima de grandes fortunas.

Ao final, os signatários dirigem um apelo aos meios de comunicação, lideranças políticas, instituições europeias e à sociedade civil francesa para que acompanhem a eleição brasileira e rejeitem interferências estrangeiras no processo.

A manifestação também pede apoio às instituições, organizações da sociedade civil e movimentos sociais brasileiros.

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