Chapecoense: a fênix de Santa Catarina

março 1, 2021 /

Jogadores da Chapecoense (foto em destaque) comemoram o título da Série B 2020 e à volta à Primeira Divisão

*Por Clébio Luiz

Trinta de janeiro de 2021. O relógio já marcava 51 minutos. Silêncio na Arena Condá. Anselmo Ramon pega a bola e a coloca na marca do pênalti. O atacante encara o goleiro do Confiança, Rafael Santos. Corre para a bola e, de cavadinha, faz o gol do primeiro título nacional da Chapecoense que, ao vencer o Confiança por 3 X 1, sagrou-se campeã da Série B 2020.

Mas a história desse time – que tal como fênix, parece ressurgir das cinzas – começa em 10 de maio de 1973, quando alguns desportistas de Chapecó (SC) resolveram criar um time de futebol profissional para representar a cidade em campeonatos. Os clubes Atlético Chapecoense e Atlético se uniram surgindo assim a Chapecoense.

Follmann, Alan Ruschel e Neto sobreviveram ao acidente. Apenas Ruschel continua jogando

Sete vezes campeã catarinense, campeã da Copa Sul-Americana (2016) e agora campeã da Série B do Brasileirão, a Chapecoense retorna à Série A. A ascensão da “Chape” foi meteórica, chegando rapidamente à elite do futebol nacional. Em 2009, com o terceiro lugar na Série D, subiu para a C. Em 2012, também terceira colocada, galgou a Série B, onde foi vice-campeã em 2013 e chegando à divisão principal do futebol brasileiro em 2014, onde ficou até 2019. Em poucos anos a Chape desbancou três tradicionais de Santa Catarina como Avaí (Série B), Figueirense (que caiu para a Série C), Criciúma (Série C) e Joinville (Série D).

 O Primeiro time

O primeiro time foi formado por jogadores que exerciam outras profissões como Zeca (calceteiro da Prefeitura de Chapecó); Miguel (cabo da PM de Santa Catarina) e Casquinha (funcionário do Banco do Estado de Santa Catarina), entre outros. O primeiro título catarinense veio em 1977, após a vitória sobre o Avaí por 1 x 0. Essa conquista propiciou que o clube disputasse o Campeonato Brasileiro de 1978 e 1979, ficando em 51º e 93º lugares, respectivamente. Eram competições com 74 e 80 clubes, respectivamente.

Mas nem tudo foram flores no caminho da Chapecoense. Em 2001, por exemplo, a equipe ficou em último lugar no estadual e teve que disputar uma seletiva em 2002 e conseguiu retornar à Primeira Divisão. Em 2005, o clube acumulava uma dívida de R$ 1,5 milhão, à beira da falência. Um grupo assumiu o comando e conseguiu sanar as dívidas e o time conquistou, em 2006, a Copa Santa Catarina.

 

Chegada à Série A

 Depois de uma campanha surpreendente, a Chapecoense conseguiu o seu primeiro acesso à Série A em 2013. No início, o objetivo era manter a equipe na Série B para ir aos poucos tentando chegar à Primeira Divisão. Matematicamente, a classificação foi alcançada depois de uma vitória sobre o Paraná. Porém a Chapecoense esperou o confronto contra o Bragantino para comemorar com tranquilidade.

O time abriu o placar com Bruno Rangel de cabeça. Ele fez 31 gols na série B. O Bragantino não se entregou e empatou com Lincoln. A Chape fechou a competição com 38 jogos, 20 vitórias, 12 empates e 6 derrotas.

Tragédia e título internacional

Desclassificada da Copa do Brasil em 2016, a Chapecoense disputou a Copa Sul-Americana pela segunda vez. Uma das partidas mais difíceis foi contra o Independiente da Argentina. Os dois jogos de ida terminaram empatados em 0x0. A última partida foi na Arena Condá. A disputa de pênalti definiria o vencedor. O goleiro Danilo defendeu quatro cobranças e classificou a Chape, que iria enfrentar o Junior Barranquilla. O time catarinense perdeu por 1 x 0 no jogo de ida, mas na volta sapecou 3 x 0. Depois a equipe se classificou com dois empates contra o San Lorenzo (primeiro jogo fora, 1 x 1, segundo, em casa, 0 x 0) e se classificou para a final contra o Atlético Nacional. A primeira partida seria em Medelín, na Colômbia.

Para chegar a Medelín, a Chapecoense iria de Guarulhos a Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) em um voo comercial, De lá partiria em voo fretado pela Companhia Aérea Lamia. A aeronave estava com 77 pessoas, incluindo jogadores, dirigentes e comissão técnica da Chapecoense, além de jornalistas.

O acidente com o avião da Chapecoense matou 71 pessoas, incluindo jogadores, dirigentes, comissão técnica e jornalistas

No dia 28 de novembro de 2016, às 22h15, a aeronave se chocou com o Monte Gordo e, dos 77 passageiros, sobreviveram apenas os jogadores Alan Ruschel, Jackson Follmann e Neto, além do jornalista Rafael Henzel (que morreu de infarto em março de 2019) e os tripulantes Erwin Tumiri e Ximena Suarez. Follmann amputou uma perna, Neto parou de jogar e Alan Ruschel continua atuando. Depois de ser campeão pela Chape, ele acertou com o Cruzeiro. O motivo do acidente foi falta de combustível.

Em solidariedade, o Atlético Nacional encaminhou à Conmebol um pedido para que o título da Copa Sul-Americana de 2016 fosse entregue para a Chapecoense. A entidade aceitou a proposta e a equipe catarinense foi declarada campeã.

 

Clubes se solidarizam na reconstrução

 Após o acidente, a Chapecoense começou a se reconstruir e contou com a solidariedade de diversos clubes do país, que emprestaram ou negociaram atletas. O Juventude emprestou o goleiro Elias, e o Cruzeiro o zagueiro Douglas Grolli. O time iniciou 2017 com 15 reforços contratados, além do técnico Vagner Mancini. A equipe participou da Libertadores, mas foi eliminada porque escalou irregularmente um jogador na vitória por 2×1 contra o Lanús. No Brasileirão de 2017, a Chapecoense terminou em 8º lugar e garantiu a vaga para a Libertadores, sendo a única equipe catarinense a participar da competição por dois anos.

Em 2019, a Chape disputou a Sul-Americana, mas foi eliminada pelo Unión La Calera ainda na primeira fase. Na Copa do Brasil, a equipe chegou até a quarta fase , onde foi eliminado pelo Corinthians. No Brasileirão, foi rebaixado para a Série B, na 35ª rodada, após perder para o Botafogo.

 

*Clébio Luiz é jornalista

fotos: divulgação

 

 

 

CLÉBIOLUIZ

JORNALISTA

REG PROF 18.157 – MTB

 

 

 

Clébio Luiz

Jornalist – Reg. Prof MTB 18.157

Livre de vírus. www.avast.com.

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Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.