Celebrado em 6 de janeiro, o Dia de Reis é tradicionalmente associado ao encerramento das comemorações natalinas, momento em que muitas famílias desmontam a árvore de Natal. A data, no entanto, reúne significados religiosos e culturais e é celebrada de diferentes formas em várias partes do mundo.
No calendário cristão, o Dia de Reis marca a visita de magos do Oriente ao recém-nascido Jesus Cristo. A celebração também é conhecida como Epifania ou Teofania, termos que se referem à manifestação ou revelação divina da chegada de Jesus.
A passagem bíblica que relata o episódio está no Evangelho de São Mateus. O texto narra que, dias após o nascimento de Jesus, magos guiados por uma estrela chegaram até ele e ofereceram presentes. A Bíblia não especifica o número exato de visitantes, mas a tradição cristã consolidou a ideia de três magos em razão das três ofertas mencionadas.
Os presentes (ouro, incenso e mirra) possuem forte simbolismo religioso. Além de representarem reverência e devoção, são associados à provisão divina. Segundo a tradição cristã, o ouro e a mirra teriam sido fundamentais para a subsistência da família de Jesus durante a fuga para o Egito, episódio narrado no Novo Testamento.
Embora a celebração tenha origem bíblica, estudiosos apontam que a forma como o Dia de Reis é comemorado atualmente foi consolidada na Idade Média. No texto bíblico, os visitantes não são chamados de reis, mas de magos, termo associado a sábios ou estudiosos do Oriente. A denominação “reis” teria surgido posteriormente, influenciada por interpretações e tradições medievais.
Registros históricos do século 7 indicam que os magos eram possivelmente persas e praticantes do zoroastrismo, religião antiga da região. Essa origem pode explicar o uso do termo “magos” para descrevê-los.
Ao longo dos séculos, as tradições do Dia de Reis e do Natal passaram a se misturar. Em períodos anteriores, a troca de presentes era associada ao Dia de Reis, em referência às ofertas levadas a Jesus, e não à noite de Natal. Com o tempo, a proximidade das datas levou à adaptação dos costumes, resultando nas celebrações como são conhecidas.
Festa e caridade
As celebrações do Dia de Reis são conhecidas popularmente como Folia de Reis ou Reisado e estão difundidas por diferentes regiões do país. Uma das práticas mais consolidadas da celebração do Dia de Reis são as visitações que grupos musicais chamados Terno de Reis costumam fazer às residências.
Essas visitas são marcadas por cantorias, com letras religiosas. Em troca, os grupos recebem a doação de alimentos. Esses grupos podem ser formados também por dançarinos e contam com instrumentistas, todos eles usando trajes tradicionais da festa. Os alimentos arrecadados, geralmente, são direcionados para caridade.
Tradição se mantém no RJ: Baixada e capital
Na Baixada Fluminense, cidades como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti e Magé concentram alguns dos grupos mais tradicionais. Em Xerém e Imbariê, em Caxias, e em áreas rurais de Magé, os cortejos costumam reunir moradores e fiéis.
Na capital, a Folia de Reis resiste principalmente na Zona Norte e Zona Oeste. Bairros como Triagem, Penha, Ramos e Madureira, além de Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba.








