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Cedae liberou R$ 200 milhões ao Banco Master após auditoria apontar restrições

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Relatórios indicam que regras internas da Cedae foram alteradas para viabilizar investimentos no Banco Master

Uma auditoria interna da Cedae apontou que o Banco Master não cumpria os requisitos previstos na política de investimentos da empresa quando começaram as tratativas para um aporte de R$ 200 milhões. Mesmo assim, as normas internas foram modificadas meses depois, passando a autorizar aplicações na instituição financeira, segundo documentos obtidos pela Globonews.

A documentação foi recebida pela Cedae em julho de 2023, e segundo o relatório, o Master tinha classificação de risco menor do que a exigida e era avaliado por apenas uma agência de rating. A auditoria constatou que a política de investimento foi modificada logo em seguida e curiosamente passou a aceitar o perfil que foi anunciado pela instituição.

Após a perda de recursos investidos no banco, a nova direção da instituição abriu uma investigação e a apuração foi enviada pelo presidente da Cedae, Rafael Rolim, à diretoria com recomendação de envio ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Nos documentos constam que a diretoria financeira ignorou alertas internos sobre a deterioração da situação do Banco Master e que a estatal acumulou prejuízo superior a R$ 222 milhões, conforme informou o jornalista Octávio Guedes em seu blog.

Um processo para mudanças foi aberto em agosto do mesmo ano. Em setembro as alterações como a redução das exigências relativas às agências de rating e a criação de uma nova faixa de risco que passou a aceitar instituições classificadas entre BBB+ e BBB foram aprovadas. Essas novas regras passaram a aceitar o perfil do Banco Master. “Apenas dois meses antes, os mesmos documentos atestavam a inelegibilidade do Banco Master frente à política vigente“, afirma o relatório citado pelo site G1.

Investigação destaca data do início das negociações entre Cedae e Master

Segundo registros da estatal, os representantes do Master tiveram uma reunião em 17 maio de 2023 com integrantes da Diretoria Financeira e de Relação com Investidores (DFI) da Cedae. Entre os participantes do Master estava Diego Maciel de Menezes Silva, identificado como superintendente comercial do banco e o então diretor financeiro Antonio Carlos dos Santos como anfitrião do encontro.

A reunião aconteceu mais de 30 dias antes da data que a administração da empresa havia informado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo a versão encaminhada ao órgão regulador, o primeiro contato foi em 27 de junho de 2023, quando o banco solicitou orientações para o cadastramento junto à Cedae. Documentos também apontam que o diretor financeiro Antonio Carlos dos Santos e seus assessores viajaram para São Paulo para encontro com Maurício Quadrado, que na época era sócio co-CEO do Banco Master.

As negociações eram mediadas pela Diretoria Financeira e um grupo restrito de assessores, segundo a auditoria. As reuniões presenciais começaram em maio de 2023, com encontros em São Paulo em junho e julho. Em setembro a alteração da política de investimentos foi aprovada. A partir do momento em que outras áreas passaram a ter conhecimento da operação, começaram a surgir alertas internos relacionados ao risco financeiro e do tamanho da exposição que a Cedae poderia enfrentar.

Os auditores também destacam que a proposta para alterar as regras foi apresentada ao Conselho de Administração e ao Comitê de Auditoria sob a premissa de diversificar a carteira e elevar a rentabilidade. No entanto, os órgãos não dispunham de informações suficientes para prever que as mudanças serviriam para viabilizar uma transação específica.

Como ocorreu o ‘calote’ do Master

Na segunda etapa da investigação, em 2025 diversas áreas da Cedae alertaram sobre a situação financeira do Master e buscaram formas de reduzir a exposição da companhia. Segundo relatório, o financeiro demorou a regir mesmo com o agravamento do cenário.

A estatal buscou recuperação dos recursos em setembro de 2025, mas o banco já estava no vermelho e apresentou propostas para parcelar a devolução do montante investido pela Cedae. Em novembro do mesmo ano, o então diretor financeiro Antonio Carlos dos Santos se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro para tentar uma reparação financeira, mas não teve sucesso. Após uma das parcelas para devolução do investimento não ser paga em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A partir daí, a perda monetária da Cedae se concretizou.

Jantar de Castro com Vorcaro nos EUA

Investigação da Polícia Federal destaca que a 1ª reunião ocorrida em maio entre representantes do Master e da Cedae aconteceu 6 dias do jantar oferecido pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao então governador Cláudio Castro em Nova York. Segundo documentos, banqueiro orientou assessores a garantir uma experiência privilegiada ao governador nos EUA. Para a auditoria da Cedae não há relação entre os encontros.

O que relatam os participantes

Em nota, Antônio Carlos dos Santos, diretor financeiro da Cedae de outubro de 2022 a março de 2026, disse que “repudia de forma veemente todas as falsas alegações de omissão de dados e demais informações ao Conselho de Administração na CEDAE“.

Cumpre destacar que o atual diretor-presidente da companhia, senhor RAFAEL ROLIM, bem como seu atual chefe de gabinete, JORGE LUIZ FERREIRA BRIARD, integravam e participavam do colegiado em todas as etapas de aprovação. Como conselheiros de órgão deliberativo, ambos examinaram, acompanharam, fiscalizaram e aprovaram formalmente os parâmetros das novas instruções da Política de Investimentos.

Todos os conselheiros, diretores e auditores da CEDAE recebiam mensalmente relatórios de todas as aplicações financeiras, inclusive também constavam no portal da empresa. Importante frisar que a CEDAE foi a única empresa que realizou resgates, interrompidos pela liquidação decretada pelo Banco Central.

Causa surpresa que tanto o atual presidente, Rafael Rolim, que na época fazia parte do CA, assim como seu chefe de gabinete, Jorge Luiz Ferreira Briard, ainda membro do CA e indicado pelos funcionários da CEDAE, nunca se opuseram às mudanças nas políticas de investimentos, assim como a todos os relatórios referentes aos investimentos divulgados frequentemente a todo os membros do colegiado.

Toda a minha vida profissional sempre foi pautada pela seriedade, ética, lisura e estrita responsabilidade técnica. Manifesto total tranquilidade em relação aos meus atos de gestão e confio plenamente que a verdade dos fatos virá à tona e prevalecerá perante os órgãos de controle e a sociedade“.

Nota da Cedae informa que o relatório “está nas mãos do governador em exercício, desembargador Ricardo Couto“.

O relatório de auditoria realizado por determinação do presidente da Cedae, o procurador Rafael Rolim, e endossado por toda a Diretoria Executiva da Companhia, comprova que toda a negociação e execução dos investimentos foi conduzida pela Diretoria Financeira da Cedae, sem o compartilhamento das informações com as demais diretorias e órgãos da empresa.

Cumpre destacar que o atual diretor-presidente da companhia, senhor RAFAEL ROLIM, bem como seu atual chefe de gabinete, JORGE LUIZ FERREIRA BRIARD, integravam e participavam do colegiado em todas as etapas de aprovação. Como conselheiros de órgão deliberativo, ambos examinaram, acompanharam, fiscalizaram e aprovaram formalmente os parâmetros das novas instruções da Política de Investimentos.

Todos os conselheiros, diretores e auditores da CEDAE recebiam mensalmente relatórios de todas as aplicações financeiras, inclusive também constavam no portal da empresa. Importante frisar que a CEDAE foi a única empresa que realizou resgates, interrompidos pela liquidação decretada pelo Banco Central.

Causa surpresa que tanto o atual presidente, Rafael Rolim, que na época fazia parte do CA, assim como seu chefe de gabinete, Jorge Luiz Ferreira Briard, ainda membro do CA e indicado pelos funcionários da CEDAE, nunca se opuseram às mudanças nas políticas de investimentos, assim como a todos os relatórios referentes aos investimentos divulgados frequentemente a todo os membros do colegiado.

Toda a minha vida profissional sempre foi pautada pela seriedade, ética, lisura e estrita responsabilidade técnica. Manifesto total tranquilidade em relação aos meus atos de gestão e confio plenamente que a verdade dos fatos virá à tona e prevalecerá perante os órgãos de controle e a sociedade“.

Diante de todos os elementos apresentados no relatório, a Diretoria Executiva enviou o resultado final para o Governo do Estado e também recomendou o compartilhamento do documento com os órgãos de controle do Estado (Procuradoria Geral do Estado e Tribunal de Contas do Estado), do Ministério Público e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)“.

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