Candidato ao Senado, Chico Alencar(Psol-RJ) diz em artigo para o Novaiguassuonline que” é preciso olhar mais para a Baixada”

setembro 5, 2018 /

Os eleitores da região da Baixada Fluminense ( que representam quase 30% do colégio eleitoral do estado do Rio) votarão em dois candidatos ao Senado nas eleições deste ano. O mandato de um Senador é de oito anos, com direito à reeleição. Cada estado tem 3  Senadores, independente de seu tamanho territorial, econômico ou populacional. Dois dos atuais representantes do Rio no Senado Federal completarão os oito anos de mandato este ano: Lindbergh Farias ( PT) e Eduardo Lopes (PRB), que era o suplente do prefeito Marcelo Crivela. A outra vaga pertence a Romário, candidato a governador pelo Podemos. São 15 os  candidatos a Senador pelas duas vagas do Rio este ano. O espaço democrático que o Novaiguassuonline está oferecendo a todos os postulantes para as duas vagas do Rio no Senado é uma contribuição deste site para enriquecer o debate voltado para os interesses do povo da Baixada. Por aqui já passaram a ex-deputada Aspásia Camargo (PSDB) e o ex-prefeito César Maia ( Democratas). Quem sobe à nossa tribuna hoje é o Professor Chico Alencar, Deputado Federal pelo Psol-RJ.

 

É preciso olhar mais para a Baixada

  • Chico Alencar

A população da Baixada Fluminense equivale à do Uruguai. São quase 4 milhões de habitantes. Muita gente que mora aqui está desempregada ou sobrevive com empregos precários ou com bicos. Os serviços públicos essenciais – saúde, educação, segurança – são precários. E só pioraram depois que Michel Temer assumiu o governo.

Não bastasse isso, a roubalheira da gangue de Sérgio Cabral quebrou o estado. Enquanto a maioria das pessoas corta um dobrado para pagar as contas no fim do mês, essa quadrilha esvaziou os cofres do Rio.

Para que se tenha uma ideia da quantidade de recursos desviados, basta ver o que foi concedido às empresas como desoneração fiscal (nome pomposo para os impostos que o poder público deixa de cobrar, sem que seja obrigado por lei a fazer a isso). De 2009 a 2015 o estado do Rio abriu mão de receber R$ 168 bilhões porque deu isenções fiscais a muitas empresas. No mesmo período, gastou R$ 120 bilhões em saúde, educação, segurança e assistência social. Ou seja, abriu mão de receber uma quantia que é maior do que o valor que gastou com quatro serviços públicos essenciais. Difícil justificar isso. Talvez esses números sejam um bom ponto de partida para entender a falência das contas do estado.

Uma pergunta se impõe: será que essas isenções de impostos foram dadas sem que Cabral e o pessoal que o apoiava recebessem “contrapartidas” em suas contas bancárias?

Tendo havido suborno ou não, esse dinheiro poderia ter ajudado, e muito, a Baixada Fluminense.

Afinal, a Baixada não pode ser tratada com desprezo, como mera região-dormitório. Muita gente trabalha e estuda aqui, onde mora. São necessários mais empregos, renda e acesso a serviços públicos de qualidade na própria região.

Nos transportes, é preciso ampliar o metrô para a Baixada e criar barcas de Caxias para o Rio, além de melhorar a mobilidade entre os municípios da região.

Na saúde, é urgente o funcionamento integral do Hospital da Posse, além de maior investimento na atenção básica, evitando-se a superlotação das unidades de atendimento existentes.

Na área de saneamento básico, é fundamental dotar toda a região de esgotos. Afinal, nunca é demais lembrar: para cada real gasto em saneamento básico são economizados quatro reais em saúde. Isso, se se quiser vendo as coisas apenas do ponto de vista econômico. Como se sabe, no entanto, vidas humanas não devem ter preço. Assim, o maior ganho não é o econômico.

Ainda no que diz respeito ao saneamento, é urgente o combate às enchentes, fazendo obras de drenagem e concedendo financiamentos para a compra de casas por famílias que hoje vivem em áreas sujeitas a alagamentos.

Para tal, é desnecessário dizer que a Cedae deve permanecer como empresa pública. Ela não pode ser movida pelo lucro, ficando em segundo plano sua função social. A água é um bem tão precioso para a vida humana, que os investimentos para levá-la a todas as famílias não podem ser guiados pelo dinheiro.

Outro problema grave é a segurança pública. Embora a criação de empregos e de alternativas de lazer – em especial para a juventude – contribuam para uma melhoria dos indicadores de segurança, há uma percepção generalizada na Baixada de que as UPPs não só não resolveram os problemas na Zona Sul e na Tijuca, no Rio, como acabaram piorando a situação da periferia com a migração de criminosos para essas áreas. Para se ter uma ideia, Japeri e Queimados entraram no mapa como as cidades com maior índice de violência no estado. É preciso, portanto, uma atenção especial para a segurança na Baixada.

Ainda no que diz respeito à segurança pública, é necessário que seja reativada a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Nova Iguaçu, no Bairro da Luz.

No plano da educação, é preciso ampliar a oferta de cursos de graduação e extensão universitária, reconhecendo o quanto foram importantes para a Baixada os campi da Universidade Rural em Nova Iguaçu e da Uerj em Caxias, além dos institutos federais de ensino, como os de Nilópolis e Caxias.

O incentivo à produção orgânica de alimentos por assentamentos e por pequenos agricultores da região é outra medida necessária. Essa produção pode, inclusive, ser aproveitada para a merenda escolar, fornecendo às crianças alimentos baratos e saudáveis.

Por fim, embora ainda haja muito mais a propor, é fundamental descentralizar os investimentos em cultura, levando o financiamento para as periferias e o interior e incentivando a produção autônoma de grupos culturais.

Nada do que foi dito aqui é impossível ou custa muito. Num país que gasta tanto em obras faraônicas sem que haja um retorno para a população – basta ver o que foi pelo ralo com a Copa e as Olimpíadas – os pontos que listei aqui são café pequeno. Para realiza-los, é necessário que os governos e os políticos olhem com mais carinho para a Baixada.

Por tudo isso, sou candidato ao Senado. O Rio de Janeiro precisa de um senador ativo, disposto a exercer a representação de forma participativa, democrática, voltada para o interesse público: se eleito, quero exercer o mandato orientado por conselhos regionais, como os da Baixada, da Região Serrana, da Região dos Lagos, da Costa Verde, de Niterói e São Gonçalo, do Norte, do Noroeste e do Sul Fluminense. A cidadania indicará o que é mais necessário em cada região, fazendo valer o lema do protagonismo popular: “nada sobre nós sem nós”.  

  • Chico Alencar é deputado federal (PSOL-RJ) e candidato ao Senado com o número 500

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.