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Câmera do helicóptero que caiu no Rio pode ajudar a esclarecer acidente

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Arnaldo Muniz, advogado da empresa responsável pela aeronave, contou que o equipamento foi encontrado aparentemente intacto

Uma câmera interna do helicóptero que caiu nas proximidades da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, Zona Norte do Rio, pode ajudar a esclarecer os momentos que antecederam o acidente no último sábado (8). O advogado Arnaldo Muniz, que atua na Voo Rio Panorâmico, destaca que o equipamento foi encontrado aparentemente intacto e entregue ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

“No interior da aeronave, havia uma câmera modelo GoPro para filmar a emoção dos passageiros durante o voo. Esta câmera foi encontrada pelos Bombeiros e entregue ao representante do Cenipa que fazia vistoria no local do acidente. Pelas imagens, a câmera está intacta e com cartão de memória. Esperamos que as imagens possam ajudar nas investigações”, ressaltou Muniz.

Representantes da empresa afirmam que Alessandro Rocha, piloto que morreu no acidente, já havia realizado um outro voo com o mesmo helicóptero, no mesmo dia, e não relatou qualquer problema. Com mais de 20 anos de experiência, o comandante havia sido contratado pela Voo Rio Panorâmico havia cerca de um mês. Ele foi sepultado na tarde desta segunda-feira, no Cemitério de São Gonçalo.

A queda da aeronave ainda deixou três turistas colombianas mortas: Rocio Cubillos, de 59 anos; Wendy Manrique, 37, e Sofia Murillo, 17 – avó, mãe e filha. No domingo (9), familiares das vítimas e representantes da empresa estiveram no Instituto Médico Legal (IML) do Centro para acompanhar as tratativas relativas à liberação do corpo.

No local, o engenheiro Victor Manrique, filho de Rocio e irmão de Wendy, relembrou a colisão entre helicópteros ocorrida em junho, no Recreio, que causou a morte de seis pessoas – incluindo o cantor Oliver Tree. Assim como já havia sido feito pelo prefeito Eduardo Cavaliere no dia do acidente, o colombiano sugeriu a suspensão do serviço de voos panorâmicos no município.

“Entenderia se no Rio não voassem helicópteros em voos panorâmicos. A operação deveria ser, no mínimo, suspensa. Sinceramente, quero que nenhuma outra família, que venha à essa bonita cidade conhecê-la, termine em tragédia. Todos no Rio foram espetaculares. Só quero que ninguém viva o que vivemos”, pontuou.

Em pleno Dia dos Pais, Sven Rocha, filho do piloto, contou que Alessandro era uma pessoa cheia de vida e apaixonado pela profissão. 

“Eu achava que ele ia viver para sempre. Não idealizando algo, mas era uma pessoa muito viva. Falava o tempo inteiro, com todo mundo. Ele era alegria. Era instrutor há mais de 20 anos e acumulou muitos anos de voo. Desde que eu o conheço, sou filho do Comandante Rocha. Era um homem que não brincava. Era sério no trabalho”, disse.

A Polícia Civil se limitou a dizer que a investigação está em andamento na 19ª DP (Tijuca), que a perícia já foi realizada e que os agentes aguardam um laudo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.

Já o Cenipa informou que os investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), com sede no Rio, foram acionados para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave.

Nessa etapa, reúnem-se elementos que subsidiarão as fases posteriores da investigação, as quais têm por finalidade identificar possíveis fatores contribuintes para a queda, quando aplicável, permitir a emissão de Recomendações de Segurança voltadas à prevenção de novas ocorrências.

O que diz a empresa?

No IML, Eliane Ambrósio – representante da Voo Rio Panorâmico – afirmou que todos os documentos estão sendo verificados, mas que a prioridade é dar suporte às famílias das vítimas.

“Quando a pessoa faz qualquer compra, você faz um contrato. No momento em que você acessa o produto e concorda com os termos colocados, você está assinando um contrato. Tudo está sendo tratado, o seguro foi acionado e a empresa sempre seguiu as normas de segurança. Isso tudo será investigado e verificado. Nós vamos dar todo acesso à tudo. A empresa jamais vai se omitir e deixar de dar o suporte. A preocupação agora é acolher a família e fazer tudo que a gente puder para dar um conforto”, contou.

Segundo Eliane, a demora de avisar a família sobre a queda do helicóptero ocorreu porque não queriam dar informações precipitadas.

“Quando a gente soube, mobilizamos uma equipe para ir até o local. Tudo chegou de uma forma truncada. Não sabíamos o que tinha acontecido. Não queríamos ser levianos e passar uma informação para a família, que fosse uma informação inverídica, que não fosse a realidade. Pegamos a família e seguramos para dar esse apoio. Assim que a gente teve a informação do óbito, nós comunicamos. Ficamos com eles o tempo todo”, ressaltou.

A representante da empresa afirmou que cuidou do translado de familiares da Colômbia para o Brasil – como o pai da adolescente morta – e hospedagem.

“Estamos procurando dar todo suporte para essas famílias nesse momento de dor terrível. Nada vai compensar essa perda, mas a gente poder dar o acolhimento e suporte, para que não se sintam desamparados. É a nossa principal preocupação”, disse.

Ambrósio completou que todas as certificações da empresa e da aeronave estão em dia. “A gente trabalha dentro da total legalidade, tudo que a legislação exige. Não temos nada a esconder.”

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