O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em audiência na Câmara dos Deputados que o Brasil vai “aplaudir” o plano apresentado pela Casa Branca para acabar com a guerra na Faixa de Gaza.
“O Brasil está acompanhando e somente ontem no final da tarde tomamos conhecimento do plano que foi lançado e, sem dúvida nenhuma, vamos aplaudi-lo publicamente”, disse ao ser questionado sobre o assunto durante sessão na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional na quarta-feira (2).
De acordo com Vieira, o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem o mesmo objetivo do que defende o Brasil desde o início do conflito entre Israel e Hamas: “libertação de reféns, fim do conflito, cessar fogo imediato, reconstrução de Gaza, respeito aos direitos humanos e ajuda humanitária”.
“Tudo isso está dentro das nossas linhas políticas e sem dúvida nenhuma o Brasil aplaude a iniciativa e fazemos votos de que ela surta efeitos de todas as partes”, concluiu.
Em 2023, o Brasil presidia o Conselho de Segurança da ONU e apresentou uma minuta de resolução sobre o conflito Israel-Palestina. O texto cobrava a criação de “corredores humanitários” para a entrega de mantimentos básicos à população civil de Gaza e conclamava o suprimento “contínuo e suficiente” de eletricidade, água, combustíveis e medicamentos “indispensáveis à sobrevivência”.
Dentre outras coisas, o governo brasileiro reafirmava que “quaisquer atos de terrorismo são criminosos e injustificáveis”.
O projeto, no entanto, foi vetado pelos Estados Unidos, depois de ter tido sua votação adiada duas vezes. Isso porque, apesar de a votação ter tido resultado em maioria absoluta a favor da aprovação do texto, os norte-americanos possuem a prerrogativa de vetar uma resolução, uma vez que são uma das nações com assento permanente no Conselho de Segurança.
“Apresentamos resoluções nesse sentido que foram na ocasião vetadas por um país membro”, afirmou o ministro.
“É, justamente, o que nós defendemos desde o início do conflito quando inclusive ainda estávamos no conselho de segurança. Apresentamos resoluções nesse sentido que foram na ocasião vetadas por um país membro”, concluiu Vieira na Câmara, relembrando o episódio de 2023.
Plano de Trump
A proposta do governo americano, apresentada na última segunda-feira (29), prevê um governo internacional temporário, que seria chamado de “Conselho da Paz”, chefiado e presidido por Trump, com outros membros e chefes de Estado a serem anunciados.
O plano pede um cessar-fogo permanente e a libertação de todos os reféns que continuam nas mãos do Hamas, vivos ou mortos e, em troca, Israel libertará presos palestinos e devolverá restos mortais de pessoas de Gaza.
