A Polícia Federal identificou movimentações financeiras de alto valor nas contas do ex-presidente Jair Bolsonaro entre março de 2023 e fevereiro de 2024. A investigação, que se apoia em dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), concluiu que o ex‑presidente teve um volume de créditos equivalente a R$ 30.576.801,36 e débitos de R$ 30.595.430,71 em suas contas bancárias nesse período, informa a Folha de S.Paulo.
Esses movimentos foram incorporados ao inquérito sobre as suspeitas de obstrução do julgamento da trama golpista em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), sob os olhares da Polícia Federal.
Indícios de lavagem de dinheiro
O relatório da PF indica indícios que apontam para lavagem de dinheiro e outros ilícitos penais, não apenas em relação a Bolsonaro, mas também envolvendo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL‑SP). O documento afirma que “o ex‑presidente Jair Bolsonaro foi identificado como parte envolvida em comunicações reportadas por unidades de inteligência financeira ao Coaf”.
Reforça ainda que “as operações financeiras com suspeitas de serem ocorrências de lavagem de dinheiro e outros ilícitos identificadas nas contas de titularidade de Jair Bolsonaro ocorreram entre 01/03/2023 e 05/06/2025”.
No período entre 1º de março de 2023 e 7 de fevereiro de 2024, o total de créditos e débitos combinados gira em torno dos R$ 30 milhões mencionados, reforçando a amplitude das movimentações apontadas pela PF.
PF vê também tentativa de coação ao longo do processo
A PF indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro sob a suspeita de obstrução do julgamento da trama golpista no STF. O relatório final da investigação sugere indícios de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, além de possíveis descumprimentos de medidas cautelares.
Outro nome envolvido no caso é o do pastor Silas Malafaia, apoiador do ex‑presidente, alvo de operação da PF. Ele teve o telefone celular apreendido ao desembarcar no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, após voo de Lisboa, e teve seus passaportes cancelados, o que impede qualquer contato com Jair e Eduardo, mesmo que intermediado por terceiros.
Defesa nega descumprimento de medida cautelar
Em nota, os advogados de Bolsonaro — Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser — afirmaram que “jamais houve o descumprimento de qualquer medida cautelar previamente imposta” e que prestarão os esclarecimentos dentro do prazo determinado pelo ministro relator, Alexandre de Moraes,
Já Eduardo Bolsonaro declarou por meio de nota que sua atuação nos Estados Unidos “não tem objetivo de interferir no processo em curso no Brasil” e classificou como “crime absolutamente delirante” os apontamentos da PF que resultaram no indiciamento. Além disso, considerou “lamentável e vergonhoso” o vazamento de conversas privadas entre ele e Jair Bolsonaro.
Considerações finais
A análise da PF, baseada em informações do Coaf, detalha movimentações financeiras volumosas e suspeitas em um período de quase um ano, que agora fazem parte de um inquérito com desdobramentos no STF. A complexidade do caso se agrava com os indiciamentos e possíveis violações de liberdade de Estado democrático. As respostas da defesa e de Eduardo Bolsonaro revelam um cenário de contraponto e resistência política e jurídica, consolidando o episódio como um dos mais significativos na atualidade do país.








