Baixa reciclagem no Rio gera perdas de R$ 11 bilhões e mais de 40 mil empregos, aponta estudo da Firjan

Levantamento revela que 2,5 milhões de toneladas de resíduos poderiam ser reaproveitadas, fortalecendo economia circular e criando novas oportunidades de trabalho no estado

O estado do Rio de Janeiro perde anualmente cerca de R$ 11,6 bilhões em renda e mais de 40 mil empregos devido à baixa taxa de reciclagem, segundo o estudo “Mapeamento dos Recicláveis Pós-Consumo no Estado do Rio de Janeiro”, divulgado pela Firjan. O levantamento aponta que mais de 2,5 milhões de toneladas de plástico, papel, vidro e metal poderiam ser reaproveitadas em processos produtivos, impulsionando a economia e beneficiando o meio ambiente.

Segundo a pesquisa, se todo o material reciclável fosse recuperado, o investimento produtivo adicional nas indústrias do setor poderia chegar a R$ 6 bilhões, com impacto total de R$ 11,6 bilhões em salários e lucros. Além disso, a expansão da cadeia de reciclagem poderia gerar 40,6 mil novos empregos diretos e indiretos em todo o estado.

Cláudia Guimarães, vice-presidente do Conselho Empresarial ESG da Firjan, destacou que o levantamento tem como objetivo fortalecer a economia circular no Rio de Janeiro e fornecer dados estratégicos para empresários e formuladores de políticas públicas. “Apesar de ser o segundo maior mercado consumidor do Brasil, o estado ainda enfrenta desafios na gestão de resíduos, com dados dispersos e infraestrutura insuficiente. O estudo oferece informações valiosas para transformar o Rio em referência em reciclagem”, afirmou.

O levantamento identificou 357 empresas formalmente inseridas no encadeamento produtivo da reciclagem, número 34% maior que em 2021, indicando dinamismo e renovação do mercado. Também foram apresentadas 12 propostas de ação para fortalecer o setor, incluindo incentivo à formalização, melhoria na coleta de dados e políticas públicas para aumentar a competitividade das atividades de reciclagem no estado.

A pesquisa mostrou que a separação de resíduos pós-consumo gerados por empresas alcançou 37,7%, enquanto a coleta seletiva de resíduos urbanos permanece baixa, representando apenas 1,5% do total. Em 2023, o volume de resíduos urbanos descartados em aterros ou lixões foi 2,5 vezes maior do que os reciclados pela coleta seletiva, evidenciando a necessidade de ações mais estruturadas para ampliar a reciclagem no estado.

O estudo foi desenvolvido em parceria com o Observatório Firjan, que disponibilizou dashboards interativos mostrando a distribuição de resíduos por tipo e localização geográfica, além do mapeamento dos atores da cadeia produtiva de reciclagem.

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