A empresa proprietária do jato executivo que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL) de Puerto Iguazú, cidade argentina na fronteira com o Paraná, até o Equador e, posteriormente, aos Estados Unidos, é ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro. Ele é investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro público na Argentina e por vínculos com Fred Machado, acusado de narcotráfico nos Estados Unidos.
O avião, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, pertence à Baires Fly S.A. Segundo dados do Flightradar24, a aeronave teria decolado às 0h21 desta quarta-feira (28) e pousado em Guayaquil, no Equador, às 3h46. Menos de 40 minutos depois, o jato teria partido novamente, desta vez com destino aos Estados Unidos.
Embora a Baires Fly seja associada ao ex-piloto do governo provincial de Río Negro Luis Grande, o procurador federal argentino Franco Picardi aponta Mastropietro como o verdadeiro responsável pela administração da empresa.
Empresa é investigada por corrupção na Argentina
A Baires Fly, empresa ligada ao avião usado pelo senador, aparece em investigações judiciais na Argentina. A companhia é vinculada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, investigado por suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Agência Nacional de Discapacidade (ANDIS), durante o governo do presidente Javier Milei.
Nas investigações sobre a ANDIS, Mastropietro foi apontado como um dos supostos líderes que envolveria a compra de suprimentos médicos com preços superfaturados. As apurações buscam esclarecer como os recursos públicos teriam sido movimentados e qual seria o papel dos empresários e das empresas envolvidas na operação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Baires Fly teria emitido notas fiscais referentes à suposta compra antecipada de milhas de voo. A operação é investigada sob a suspeita de ter sido utilizada para dar aparência legal a recursos desviados de órgãos públicos argentinos.
O caso ganhou repercussão em meio às apurações sobre possíveis irregularidades na gestão da ANDIS. A investigação busca esclarecer a movimentação dos recursos e a eventual participação de empresas privadas no esquema.
Ligação com empresário acusado de narcotráfico
Além de ser investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro público na Argentina, Sergio Daniel Mastropietro também tem vínculos com Frederico Machado, conhecido como Fred Machado. Empresário de Río Negro, Machado foi extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de tráfico de drogas e fraude.
Segundo as investigações, Machado teria utilizado a South Aviation, empresa sediada na Flórida, para adquirir aeronaves por meio de operações fraudulentas. Ele usaria registros falsos para ocultar a propriedade dos aviões, que seriam posteriormente levados a países da América Latina para transportar grandes carregamentos de cocaína aos Estados Unidos.
A relação entre os empresários é antiga. Em 2010, os dois teriam fundado a So Vain S.A., agência de publicidade presidida por Machado, na qual Mastropietro atuava como diretor. As investigações também apontaram que eles realizavam viagens juntos e compartilhavam um endereço em comum.
Saída de Flávio do Brasil
Após perder as eleições presidenciais no último domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve os passaportes requisitados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poucas horas depois do resultado.
Na segunda-feira (26), Flávio foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar os documentos em até 24 horas, prazo que terminou ao meio-dia da terça-feira (27). No entanto, a entrega não ocorreu dentro do período determinado.
Ainda na terça-feira (27), o senador deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos.
Em uma publicação nas redes sociais, a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio Bolsonaro cruzou, às 22h50 de terça-feira (27), a Ponte Tancredo Neves, que liga o Brasil à Argentina. As autoridades também relataram que, às 23h30, o senador e seus familiares embarcariam em um avião particular, na província de Misiones, com destino ao Equador.
O avião mencionado pelas autoridades argentinas pousou em Guayaquil, no Equador, pouco antes das 6h desta quarta-feira (28). Em seguida, a aeronave partiu com destino a Miami, nos Estados Unidos, segundo dados do site de monitoramento aéreo FlightRadar24.
