O procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, destacou, nesta quinta-feira (12/03), a atuação institucional contra a infiltração criminosa nas forças de segurança estaduais. Só nesta semana, 19 policiais foram alvos de operação deflagrada pelo MPRJ contra agentes públicos cooptados pelo crime. Em 2025, mais de 140 agentes públicos foram denunciados pelo GAECO/MPRJ e pelo GAESP/MPRJ, e 260 policiais militares pelas Promotorias de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar.[
Os casos envolvem desde esquemas de segurança privada para criminosos até suspeitas de extorsão dentro de delegacias. “Os números reforçam a importância da nossa luta contra o crime organizado, uma vez que as organizações criminosas seguem cooptando agentes públicos. Identificar e responsabilizar esses delinquentes travestidos de policiais é compromisso permanente do MPRJ”, destaca Antonio José.
O PGJ também lamentou que a credibilidade das forças de segurança seja posta em xeque perante a sociedade. “Essa cooptação compromete seriamente a imagem dos órgãos responsáveis pela segurança pública, integrados por uma imensa maioria de servidores honestos e comprometidos com a defesa da sociedade, levando-os ao descrédito”, comentou.
Outra preocupação relacionada à infiltração do crime nas forças de segurança é o possível prejuízo às investigações e operações. Ainda assim, as últimas ações do MPRJ têm apresentado números significativos.
Na última terça-feira (10/03), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) cumpriu mandados de prisão preventiva contra 18 policiais militares e penais — ativos e inativos — e um policial civil inativo, que foram cooptados para integrar o núcleo de segurança do bicheiro Rogério de Andrade. O grupo atuava na proteção do contraventor e de pontos de exploração ilegal de jogos de azar na Zona Oeste do Rio.
Também neste mês, no dia 06/03, três policiais militares foram denunciados por roubo qualificado durante uma abordagem a um ônibus no Arco Metropolitano. No mesmo dia, o Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri (GAEJURI/MPRJ) obteve a condenação do policial militar Leandro Machado da Silva a 30 anos de prisão pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, morto a tiros no Centro do Rio em 2024.
Um recorte mais amplo revela outras demonstrações da atuação do MPRJ no controle externo da atividade policial. Em 2025, o GAECO/MPRJ e o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ) denunciaram à Justiça 144 agentes públicos envolvidos em práticas ilícitas. Além disso, as Promotorias de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar apresentaram, no mesmo ano, 186 denúncias contra 261 policiais militares. Entre os delitos apontados pelos dois grupos especializados estão organização criminosa, corrupção, peculato, homicídio, fraude, entre outros crimes contra a administração pública e contra a vida.








