A avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma melhora relevante nos últimos meses e, pela primeira vez nesta série recente da pesquisa BTG/Nexus, a aprovação do governo superou numericamente a desaprovação. Os dados divulgados nesta segunda-feira (15) mostram que 48% dos brasileiros aprovam o trabalho do presidente, enquanto 47% desaprovam sua atuação à frente do Palácio do Planalto.
O levantamento revela uma mudança no cenário observado desde o início do ano. Em março, a aprovação era de 45%, enquanto a desaprovação alcançava 51%. Desde então, o governo conseguiu reduzir a rejeição e ampliar o apoio, invertendo o saldo da avaliação geral da gestão federal.
Além dos percentuais de aprovação e desaprovação, a pesquisa mostra que 4% dos entrevistados não souberam responder ou preferiram não opinar.
Avaliação do governo ainda mostra divisão
Apesar da recuperação observada nos índices de aprovação presidencial, a percepção sobre a qualidade da administração federal continua dividida.
Segundo o levantamento, 38% dos entrevistados classificam o governo como ótimo ou bom. Em sentido contrário, 41% consideram a gestão ruim ou péssima. Outros 21% avaliam a administração como regular, enquanto 1% não respondeu.
Os números indicam um cenário de polarização política ainda presente no país, embora a melhora dos indicadores de aprovação seja vista por aliados do governo como um sinal positivo em meio às discussões sobre a sucessão presidencial de 2026.
Mulheres e eleitores mais pobres sustentam desempenho
A pesquisa também identificou diferenças importantes entre grupos sociais, faixas etárias, níveis de renda e regiões do país.
Entre as mulheres, Lula registra seu melhor desempenho. Nesse segmento, 53% aprovam sua atuação, enquanto 42% desaprovam.
Já entre os homens, o cenário é inverso. A aprovação chega a 43%, enquanto a desaprovação alcança 53%.
Por faixa etária, o presidente encontra maior apoio entre os eleitores com 60 anos ou mais, grupo em que a aprovação atinge 55%.
A maior resistência aparece entre brasileiros de 25 a 40 anos. Nessa faixa, 53% desaprovam o governo.
O levantamento também mostra forte correlação entre renda e avaliação presidencial. Entre famílias que recebem até um salário mínimo, 61% aprovam Lula e 33% desaprovam.
Entre os brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos, a situação se inverte: 56% desaprovam o governo e 41% o aprovam.
Diferenças regionais permanecem
A pesquisa confirma uma tendência observada em levantamentos anteriores: o Nordeste segue como a principal base de apoio político do presidente.
Na região, 65% dos entrevistados aprovam o governo, enquanto 32% desaprovam.
No Sul, por outro lado, Lula enfrenta o maior índice de rejeição. A desaprovação alcança 59%, contra 39% de aprovação.
Os números reforçam as diferenças regionais que têm marcado as disputas políticas nacionais nos últimos anos.
Escolaridade influencia avaliação
O desempenho do presidente também varia conforme o nível de escolaridade dos entrevistados.
Entre eleitores com ensino fundamental, Lula registra 61% de aprovação e 35% de desaprovação.
No grupo com ensino médio, a aprovação cai para 41%, enquanto a desaprovação sobe para 54%.
Entre aqueles com ensino superior, o presidente tem 43% de aprovação e 54% de desaprovação.
Os dados indicam que o governo mantém maior apoio entre segmentos de menor renda e escolaridade, enquanto enfrenta mais resistência entre grupos com maior poder aquisitivo e maior nível de instrução formal.
Lula lidera corrida presidencial
Além de medir a avaliação do governo, a pesquisa BTG/Nexus também testou cenários para a eleição presidencial de 2026.
No levantamento espontâneo, quando os entrevistados respondem sem receber uma lista de candidatos, Lula aparece na liderança com 36% das intenções de voto.
Em segundo lugar surge o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 27%.
Nos cenários estimulados de primeiro turno, o presidente também mantém vantagem.
No primeiro cenário testado, Lula registra 42%, contra 33% de Flávio Bolsonaro.
No segundo cenário, a vantagem é semelhante: 43% para o petista e 34% para o senador.
Vantagem também aparece no segundo turno
Nas simulações de segundo turno, Lula aparece numericamente à frente em todos os cenários avaliados pela pesquisa.
Contra Flávio Bolsonaro, o presidente registra 49% das intenções de voto, enquanto o adversário soma 43%.
Em uma eventual disputa contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, Lula aparece com 49%.
Diante do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o presidente alcança 48%.
Já em um cenário contra Renan Santos, da Missão, Lula marca 49%.
Os resultados indicam que, neste momento, o presidente mantém posição competitiva para uma eventual tentativa de reeleição, embora os números também revelem um ambiente político ainda marcado pela disputa entre diferentes campos ideológicos.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa BTG/Nexus foi realizada entre os dias 12 e 14 de junho de 2026. Foram entrevistados por telefone 2.017 eleitores com 16 anos ou mais em todas as regiões do país.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06645/2026.
