Os fortes ventos que atingiram, ontem, o Sudeste do país deixaram ao menos cinco mortos e várias pessoas feridas. Houve quedas de árvores e postes; destelhamentos; falta de energia e interrupções no transporte público.
No estado de São Paulo, foram registradas três mortes. Em Santos, um homem em situação de rua morreu atingido por uma árvore. Em Cesário Lange, Região Metropolitana de Sorocaba, outra árvore caiu sobre um carro, matando o motorista. Já em São Sebastião um pescador morreu após o naufrágio de uma embrcação.
No Rio de Janeiro, houve duas mortes provocadas pela queda de um muro, no bairro de Santa Teresa, e uma pessoa está desaparecida.
As rajadas chegaram a 124,9 km/h no interior de São Paulo e ultrapassaram os 100 km/h no litoral. As operações do Porto de Santos foram paralisadas por mais de quatro horas e as travessias de balsas entre Santos e Guarujá e entre Ilhabela e São Sebastião foram suspensas.
Na capital paulista, dezenas de milhares de imóveis ficaram sem luz e vários voos foram cancelados nos aeroportos.
No Rio de Janeiro, o cenário foi semelhante, diversos bairros Janeiro ficaram sem luz. Equipes do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro foram acionadas para 26 salvamentos de pessoas. A corporação registrou ainda quatro desabamentos e precisou atender a 30 ocorrências de cortes de árvores.
A concessionária de energia Light declarou que uma ocorrência externa ao sistema afetou o fornecimento de energia em áreas de toda a cidade. “Nossas equipes estão atuando para restabelecer o serviço o mais breve possível”, declarou a companhia. O funcionamento das três linhas do metrô foi interrompido às 16h40, segundo a concessionária Metrô Rio.
Segundo a Infraero, o Aeroporto Santos Dumont suspendeu as operações às 16h52 e permaneceu sem funcionar à noite. Já no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), quatro voos que iriam pousar foram encaminhados para outros aeroportos.
Os impactos das ventania levaram a Prefeitura do Rio de Janeiro a decretar Estágio Dois em uma escala de níveis de atenção que vai de um a cinco, o que significa que há riscos de ocorrências de alto impacto na cidade. O Centro de Operações da Prefeitura contabilizou a queda de 25 árvores.
Prevenção
No mesmo instante em que as rajadas de vento afetavam os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, o governo federal anunciou, ontem, um plano de R$ 1,335 bilhão para ações de prevenção e resposta aos efeitos do fenômeno climático El Niño. Durante reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que há alta probabilidade de o país enfrentar um evento de forte intensidade e detalhou os riscos previstos para cada região.
Para reduzir os impactos do fenômeno, o governo lançou um plano coordenado pela Sala de Situação do El Niño, integrada por 24 ministérios e órgãos federais responsáveis pelo monitoramento climático, gestão de riscos, defesa civil, abastecimento, saúde, energia e combate a incêndios.
Do total de R$ 1,335 bilhão previsto, R$ 998 milhões serão destinados a ações de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico. Outros R$ 337 milhões correspondem ao crédito extraordinário autorizado pela Medida Provisória nº 1.367/2026 para fiscalização ambiental e prevenção e combate aos incêndios florestais.
A maior parte dos recursos será aplicada na formação de estoques públicos de alimentos. O plano prevê R$ 850 milhões para aquisição de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz. Também estão reservados R$ 65 milhões para compra e distribuição de 350 mil cestas de alimentos destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Outros R$ 13 milhões serão direcionados ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com atendimento previsto para 21,6 mil agricultores da Região Norte. Na saúde, serão investidos R$ 45 milhões nos Centros de Informação em Saúde e Clima e na Força Nacional do SUS (ForSUS), além de R$ 25 milhões para monitoramento dos níveis dos rios.
Na área ambiental, os R$ 337 milhões serão empregados em monitoramento, mobilização de equipes, compra de equipamentos, apoio logístico e demais ações operacionais voltadas à fiscalização ambiental e ao combate aos incêndios florestais.
Miriam Belchior afirmou que as medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla adotada desde o início do atual governo para fortalecer a resposta a eventos climáticos extremos. Entre as ações destacadas está a ampliação das equipes federais de combate a incêndios.
Além das ações emergenciais, o governo informou que mantém investimentos estruturantes em segurança hídrica, prevenção de incêndios, defesa civil e saúde. Entre eles estão recursos do Novo PAC para obras de abastecimento de água nas regiões Norte e Nordeste, investimentos do Fundo Amazônia em equipamentos para combate ao fogo, reforço da Operação Carro-Pipa, ampliação da atuação da Defesa Civil e instalação de Centros de Informação em Saúde e Clima em todas as regiões do país.
Segundo a ministra, os estudos elaborados por especialistas e por diferentes ministérios indicam que os efeitos do El Niño serão distintos conforme a localização.
“Em cada região, os efeitos do El Niño são diferentes. No Norte e no Nordeste, a tendência é seca. No Centro-Oeste e o Sudeste, é atraso das chuvas. E no Sul, é chuvas acima da média”, afirmou Miriam Belchior.
No Norte, o governo prevê redução da disponibilidade de água para consumo e produção, piora da navegabilidade dos rios por causa da diminuição da vazão, aumento do risco de incêndios, possibilidade de isolamento de comunidades e dificuldades no abastecimento de água, combustíveis e alimentos entre agosto e dezembro.
Já no Nordeste, a principal preocupação está nas áreas agrícolas do Matopiba — região que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — onde a estiagem poderá comprometer a produção agrícola.
Para o Sudeste, o governo projeta maior risco de incêndios florestais e ocorrência de ondas de calor entre setembro e dezembro. No Centro-Oeste, os principais impactos esperados são incêndios e prejuízos às áreas produtivas entre julho e outubro. No Sul, o cenário previsto é de chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos de terra até o fim do ano. (Com agências de notícias)









