Morre Antônio Ivo, 70 anos, médico sanitarista, candidato a prefeito de Nova Iguaçu, ex-diretor da Fiocruz

junho 10, 2021 /

Paulo Cezar Pereira

 

Faleceu hoje no Rio, aos 70 anos, de infarto,  o médico sanitarista Antônio Ivo de Carvalho. Nos anos 70, ele era uma das melhores cabeças do recém criado Instituto de Medicina Social da Uerj, do qual faziam parte também Hésio Cordeiro, Lúcia Souto e José Noronha. A proposta de medicina social foi trazida para Nova Iguaçu através de um convênio com a Diocese de Nova Iguaçu na época comandada por Dom Adriano Hipólito. No governo Moreira Franco ( 1987-1990) foram criadas as Unidades Mistas de Saúde, desdobramento do trabalho deste grupo de médicos que priorizou o social ao enfrentar a realidade da saúde pública no Rio.

Através da Cáritas, Ivo e seus colegas expandiram o número de postos de saúde na Baixada Fluminense, principalmente em Nova Iguaçu, fortalecendo o projeto de criação do Sistema Único de Saúde.

Nas eleições municipais de 1982, Antônio Ivo, nascido no Rio, foi um dos candidatos do MDB à prefeitura de Nova Iguaçu. Seu vice foi o empresário Itamar Serpa, presidente da Embelleze. Antônio Ivo, dirigente do MR-8 naquela época, não obteve sucesso eleitoral. Ele chegou em terceiro lugar no MDB: à frente dele ficaram os ex-prefeitos João Luiz do Nascimento e João Batista Barreto Lubanco, através de sublegendas. O brizolismo levou o advogado Paulo Leone, do PDT, à vitória. naquela eleição. Entre os aliados de Antônio Ivo naquele pleito estavam os ex-deputados Jorge Gama e Francisco Amaral.

Médico sanitarista, Antônio Ivo dirigiu a Escola Nacional de Saúde Pública, na Fundação Osvaldo Cruz , de 2004 a 2013, onde coordenou diversos cusos . Ele deixa viúva e quatro filhos.

A Associação de Saúde Coletiva despediu-se de Antonio Ivo de Carvalho destacndo que ele,  pesquisador e militante da Reforma Sanitária e dos direitos sociais do povo brasileiro,  compôs o Conselho Deliberativo da entidade por duas gestões – de 2006 a 2009 e de 2009 a 2012. “Acima de tudo, foi agente central na construção do campo da Saúde Coletiva, do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos processos de participação e controle social na saúde, e reconhecido por sua afetuosidade e brilhantismo”, afirma.

Nascido no Rio de Janeiro em 9 de junho de 1950, Antônio Ivo graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1974. Em pleno recrudescimento da Ditadura Civil-Militar, foi um ativo militante do movimento estudantil. “Eu sou dessa época, quando movimentos estudantis de todo o mundo saíram às ruas por mais direitos”, disse anos depois à Comissão da Verdade da Saúde. Foi preso com demais 12 estudantes e ficou seis meses no DOI-Codi, órgão militar conhecido pelas práticas mais duras de tortura no estado, e pelas quais passou.

Contudo, tal vivência só reforçou sua ligação e vontade de trabalhar diretamente e em prol da sociedade. Em 1975 fez a especialização em Saúde Pública pela então Escola Nacional de Saúde Pública, já integrada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e a residência médica.

De 1975 a 1982 esteve diretamente envolvido em ações de saúde na Baixada Fluminense, tendo montado e coordenado o Programa de Saúde Materno Infantil da Diocese de Nova Iguaçu, trabalhado como técnico da Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional (FASE), e assumido a Secretaria Municipal de Saúde de São João de Meriti.

 

 

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.