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Agora é lei: Beija-Flor vira símbolo da cidade e nome de avenida em Nilópolis

Selminha Sorriso ergue a placa a Avenida Beija-Flor. fotos: Mateus Cavalho/Divulgação/PMN.

O chamado ‘Pacote Beija-Flor de Nilópolis’ compreende ainda a troca do nome da rua onde fica a agremiação e a reconhece como patrimônio cultural e imaterial do município

A escola de samba que tornou Nilópolis, na Baixada Fluminense, conhecida em todo o Brasil e no exterior, agora é patrimônio cultural imaterial do município; o Beija-Flor tornou-se um dos símbolos oficiais da cidade ao lado do brasão, da bandeira e do hino oficial e a Rua Pracinha Wallace Paes Leme, onde estão localizadas as sedes antiga e nova da escola, passará a se chamar oficialmente Avenida Beija-Flor de Nilópolis. Estas medidas fazem parte do chamado ‘Pacote Beija-Flor de Nilópolis’.

Todas estas mudanças estão nas três leis assinadas esta segunda-feira (7/7) pelo prefeito de Nilópolis, Abraãozinho Davi (PL), na Câmara Municipal de Vereadores. O vereador Flávio Vergueiro (Republicanos) é autor dos projetos de lei sancionados por Abraãozinho. A aprovação dos projetos, com sua consequente transformação em lei, será publicada no diário oficial do município, o jornal local A Voz dos Municípios, na edição da próxima sexta-feira.

“Estamos fazendo uma reparação histórica com esse ato. Sempre dissemos que a Beija-Flor não é apenas uma escola de samba, é também uma escola de vida. Ela é a deusa soberana, que tem alma africana”, afirmou o prefeito, em tom poético. Em seguida, Abraãozinho agradeceu aos familiares, especialmente ao tio Anísio Abraão David. ” Ele foi o responsável por levar nossa família para a escola”, lembrou.

Abraãozinho ergueu orgulhosamente uma placa semelhante às instaladas nas ruas onde se lia ‘Avenida Beija-Flor de Nilópolis` e foi aplaudido com entusiasmo pelo público que estava no plenário. Eram, em sua maioria, integrantes da agremiação: participantes da Velha Guarda, Bateria, Ala de Passistas, Baianas, a rainha da bateria, Lorena Raissa e os puxadores de samba escolhidos para ficarem no lugar de Neguinho da Beija-Flor: Jéssica Martin e Cristiano Nunes, o Nino.


Flávio Vergueiro afirmou que estava muito alegre ” Estou em meu primeiro mandato e conseguir algo tão grandioso, me deixa muito feliz. Fico emocionado. A geração que cresceu na cidade aprendeu a admirar a Beija-Flor.  Tive uma conversa com várias autoridades, o prefeito, o presidente da Câmara, os deputados Ricardo Abrão e Rafael Nobre. Todos concordamos em fazer essa homenagem à escola que leva o nome de Nilópolis a todas as partes do mundo”, salientou o vereador, líder do governo na Câmara.

Mestre de cerimônias da solenidade, o secretário de Cultura, Antônio Carlos Costa, fez uma retrospectiva da formação da Baixada Fluminense, e em especial da Fazenda São Matheus, que deu origem ao futuro município de Nilópolis, e o surgimento da escola de samba. ” Após a libertação dos escravizados, eles continuaram na localidade. Há uma história de resistência do povo preto. Primeiro, houve a criação do Bloco do Irineu, depois tornou-se a Beija-Flor, no terreno do sr. Sena, fundada em 1948″, recordou.

A presidente da Velha Guarda de Nilópolis, Débora Rosa Costa, recebeu uma placa em sua homenagem e Selminha Sorriso, primeira porta-bandeira da escola, discursou em nome do presidente Almir Reis. ” A Beija-Flor representa a resistência cultural, a culinária, a fé e os sonhos do povo preto. O samba é uma forma de resistência. Ainda falta muito para a reparação histórica e social de nosso povo, mas o caminho para a mudança é a educação”, garantiu.

Selminha é presidente da Escola Mirim Sonho do Beija-Flor, criada este ano, e que pretende formar crianças e adolescentes por meio do samba, da educação e da cidadania. A estreia na Sapucaí será em 2026. “Queremos promover uma educação antirracista e o samba é essa vitrine”, salientou.

No início da solenidade, logo após a abertura da sessão, os atores: Charon, Thaís Aquino, Caio César e Andreia Veloso, que integram a Secretaria Municipal de Cultura, encenaram a história da vinda da família Abraão David do Líbano para o Brasil e sua estreita ligação com a fundação e o fortalecimento da Escola de Samba Beija-Flor.

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