William Siri (PSOL) pode não ter vencido a eleição para o governo do estado do Rio, mas, desde o início do segundo turno, tem feito tudo que pode para garantir o “tetra” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E sua principal estratégia é levar a campanha para regiões onde Flávio Bolsonaro (PL) teve desempenho expressivo no primeiro turno, como a Zona Oeste da capital e a Baixada Fluminense, em vez de concentrar a mobilização nos tradicionais redutos da esquerda carioca.
Em entrevista ao TEMPO REAL, Siri explicou que, embora locais turísticos e que costumam reunir grandes multidões em atos, como a praia de Copacabana e a Cinelândia, no Centro do Rio, sejam importantes para demonstrar a força do movimento progressista, sua prioridade é outra: mobilizar trabalhadores nos bairros “capturados” pelo bolsonarismo.
“É de onde eu vim, é dali que aprendi a ver o mundo”, explicou Siri.
O vereador de 34 anos nasceu no Km 32, em Nova Iguaçu, e é economista formado pela Universidade Candido Mendes. Sua trajetória política começou em 2014, quando fundou o coletivo” TudoNumaCoisaSó”, voltado à valorização das periferias e à defesa de políticas públicas para a Zona Oeste.
Siri foi eleito vereador do Rio pela primeira vez em 2020 e reeleito em 2024. Em março de 2026, assumiu a liderança da bancada do PSOL na Câmara Municipal.
Para o vereador, a experiência acumulada na região ajuda a levar a campanha para além dos eleitores que já estão convencidos a votar em Lula. A aposta é ir às ruas, conversar diretamente com os moradores e tentar furar a bolha em áreas onde a família Bolsonaro tem forte influência.
“Tivemos mais de 235 mil votos para o governo justamente por conta da nossa atuação na Zona Oeste, onde parte da população já me conhece”, afirmou.
Ato de Siri em Campo Grande deu o pontapé inicial
A mobilização de Siri em favor da reeleição de Lula na Zona Oeste começou no dia 13 deste mês, com um ato nos arredores do West Shopping, em Campo Grande. Segundo o vereador, a manifestação surpreendeu pela adesão dos moradores e reuniu entre 25 mil e 30 mil pessoas.
O resultado, afirma, serviu de inspiração para militantes de outros bairros e municípios que também registraram votação expressiva para o PL no primeiro turno. A partir da experiência, grupos passaram a organizar manifestações próprias, mesmo em territórios onde a esquerda é eleitoralmente minoritária.
“Estamos virando votos. Falamos diretamente com o povo trabalhador, com nossos familiares — que foram muito beneficiados pelas políticas públicas de Lula, mas já se esqueceram disso. Então, estamos muito animados para essa virada”, afirmou.
A equipe do vereador montou uma agenda quase diária de atos pela Zona Oeste e pela Baixada Fluminense. No dia 16 de outubro, Siri esteve em Bangu. Na última terça-feira (20), foi a Realengo; no dia seguinte, no Km 32, em Nova Iguaçu. Na quinta-feira (22), participou de mobilizações em Pedra de Guaratiba e, depois, em Seropédica, acompanhado de estudantes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Nesta sexta-feira (23), a agenda passou por Sepetiba. O encerramento da campanha será no sábado (24), em Campo Grande, onde tudo começou. Siri espera reunir até 50 mil manifestantes.
A mobilização do vereador também ganhou repercussão nas redes sociais. Internautas passaram a comparar a sequência de atos pela Zona Oeste à Coluna Prestes, movimento político-militar que percorreu o interior do Brasil entre 1925 e 1927.
O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, do PL, reuniu apoiadores na Praça do Ó e nas pistas da orla da praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, na tarde deste sábado (24), véspera do 2º turno das eleições.
Por volta das 14h30, o público já lotava a praça e ocupava as pistas da praia ao longo de um quarteirão. A concentração começou às 14h, e Flávio chegou ao local por volta das 16h.
O deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL) e o governador eleito do Ro, Douglas Ruas (PL), também participam do ato.
