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Relatório aponta que 17,6% dos policiais do Bope retiraram câmeras em operação com 122 mortos

Foto Corpos (2)
Documento enviado ao STF pelo Ministério Público identificou retirada de equipamentos e indícios de obstrução de imagens durante a ação nos complexos do Alemão e da Penha

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou que 17,6% dos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) analisados retiraram suas câmeras corporais durante a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha. A informação consta em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e representa uma das principais conclusões da investigação sobre a ação policial que terminou com 122 mortos, sendo 117 suspeitos e cinco agentes de segurança.

O levantamento também encontrou indícios de obstrução intencional das imagens em 7,8% dos casos examinados. Até o momento, o Ministério Público analisou os registros de 51 integrantes do Bope, unidade apontada pelos investigadores como responsável pela maior parte das incursões em áreas de mata, onde ocorreu o maior número de mortes.

Análise das imagens segue em andamento

A apuração faz parte de um trabalho mais amplo que envolve a revisão de mais de 3.600 horas de gravações captadas por policiais militares durante a operação. Segundo o MPRJ, a escolha de iniciar a análise pelos agentes do Bope ocorreu porque depoimentos colhidos ao longo da investigação indicam que eles estiveram presentes nos principais locais dos confrontos.

Apesar da letalidade da ação, os investigadores informaram que não identificaram prisões nas gravações examinadas até agora. Em contrapartida, imagens de pessoas feridas apareceram em 11,8% dos registros analisados. De acordo com o relatório, em todos esses episódios houve prestação de socorro por parte dos policiais envolvidos.

O procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, destacou que as conclusões ainda são preliminares e deverão ser confrontadas com outros elementos reunidos pelas equipes responsáveis pela investigação.

Mais de 200 policiais já foram ouvidos

Paralelamente à análise das câmeras corporais, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) continua ouvindo agentes que participaram da operação e estiveram envolvidos em confrontos armados. Até a última atualização enviada ao STF, 204 policiais haviam prestado depoimento.

As investigações também enfrentam dificuldades para realizar diligências presenciais nas comunidades. Após a megaoperação, considerada a mais letal da história do país, relatórios da Coordenadoria de Segurança e Inteligência recomendaram que promotores e técnicos evitassem entrar na região devido aos riscos à segurança.

Tráfico retomou atividades semanas depois

Uma inspeção realizada em dezembro de 2025 apontou que o tráfico de drogas já havia retomado suas atividades nos complexos do Alemão e da Penha menos de dois meses após a operação. Durante monitoramento aéreo com drones, equipes do Ministério Público identificaram barricadas, pontos de venda de drogas em funcionamento e circulação de homens armados.

Os investigadores também registraram indícios da utilização de equipamentos antidrone por criminosos, o que reforçou a avaliação de risco para a atuação das equipes de campo.

Familiares das vítimas participam da investigação

Outra frente da apuração envolve a coleta de depoimentos de familiares das vítimas da operação. O Ministério Público identificou 178 pessoas com vínculo de parentesco ou afinidade com os mortos.

Até a mais recente atualização enviada ao STF, apenas 37 familiares haviam sido ouvidos. Os relatos serão incorporados ao conjunto de provas que busca esclarecer as circunstâncias das mortes e avaliar a atuação das forças de segurança durante a Operação Contenção.

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