O deputado estadual Rio Roosevelt Barreto Barcelos (PRD), conhecido como Val Ceasa, é alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil, nesta quinta-feira (18), que apura a ligação de agentes públicos com a facção Terceiro Comando Puro (TCP). Também são investigados o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins, além de um ex-assessor parlamentar.
Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. Entre os endereços estão a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a Ceasa e outros pontos na capital e no Espírito Santo. A decisão ocorreu por determinação do procurador-geral de Justiça do estado, Antonio José Campos Moreira.
A ação é realizada por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro da Polícia Civil. As buscas seguem em andamento neste momento.
Relação com TCP
Segundo o MPRJ, a investigação teve início após indícios de que parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa destinada à demolição de imóveis utilizados pela organização criminosa em Parada de Lucas, região conhecida como Complexo de Israel, Zona Norte do Rio.
De acordo com a investigação, eles teriam utilizado sua influência para argumentar que os imóveis eram destinados à prestação de serviços sociais, o que, segundo as apurações, não correspondia à realidade. A ação policial acabou sendo adiada.
Em nota, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informou que acompanha a operação. “A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense”, explicou em comunicado.
Sobre o vereador, que segunda a investigação exercer atualmente o cargo de servidor municipal, a prefeitura do Rio reforçou que o ex-vereador não integra os quadros de funcionários. Os atos publicados no dia 10 de novembro de 2025 foram tornados sem efeito no dia 17 de novembro de 2025 pois a órgão possui, desde 2021, um setor na Secretaria de Integridade que analisou e reprovou a sua nomeação.
Relembre outros casos
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante), de 39 anos, foi preso, no início de maio, durante a quarta fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, que investiga fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Rio (Seeduc).
Na primeira fase, realizada em dezembro de 2025, a PF prendeu o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Segundo investigações da época, Bacellar teria vazado informações da operação contra um grupo especializada no tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro.
Os alvos da ação eram o ex-deputado estadual TH Joias – que acabou preso e cassado – um delegado da Polícia Federal, policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual e uma liderança do CV no Complexo do Alemão, Zona Norte.
TH Joias é acusado de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). De acordo com as investigações, ele usava o mandato para favorecer o crime organizado, intermediando a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinado a comunidades controladas pela facção.
Na segunda etapa da operação, ainda em dezembro do ano passado, foi a vez do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), ser preso. Ele era o relator do processo de TH Joias.








