Dados do setor de inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro revelam que 316 fuzis foram apreendidos no estado apenas nos primeiros cinco meses deste ano. A imensa maioria desse arsenal estava em territórios controlados por duas das principais organizações criminosas fluminenses: o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), que juntos respondem por nove em cada dez fuzis recolhidos pelas forças de segurança. A ampla difusão dessas armas de alto calibre funciona como motor para a engrenagem de outros delitos urbanos, inflacionando os índices de roubos de cargas, veículos e aparelhos celulares.
O cenário atual dá continuidade ao balanço do ano anterior, quando a Polícia Militar retirou de circulação um total de 5.226 armas de fogo, incluindo 811 fuzis, além de confiscar 94.922 munições, 3.214 carregadores e 377 granadas. O mapeamento histórico da corporação aponta que, do total de fuzis interceptados no ano passado, 64% operavam em áreas sob influência do Comando Vermelho, enquanto 24% foram localizados em redutos do Terceiro Comando Puro.
Com esse diagnóstico, a inteligência da PM busca rastrear as rotas de tráfico e compreender a logística dos grupos armados para refinar as operações táticas de enfrentamento ao crime organizado. O relatório também joga luz sobre a procedência internacional do armamento: os Estados Unidos lideram como o principal fornecedor do arsenal apreendido neste ano, sendo a fábrica de origem de 177 dos fuzis recolhidos até maio. O restante do levantamento identificou modelos fabricados na Alemanha, em Israel, na República Tcheca e também no mercado nacional.
“A Polícia Militar atua em contextos extremamente complexos, onde armas de guerra são colocadas nas mãos de criminosos que ameaçam comunidades sob domínio territorial e colocam em risco toda a população ao praticar roubos de cargas e veículos, além de atentarem contra a vida de agentes de segurança”, afirmou o major Maicon Pereira, porta-voz da corporação.
As ações de combate ao crime neste ano resultaram na recuperação de 2.960 veículos e 3.358 celulares. Ao todo, cerca de R$ 20 milhões em cargas foram devolvidos aos proprietários.








