O programa Nós+Seguras, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, realiza na próxima segunda-feira (23) uma formação presencial voltada a profissionais do Programa Saúde na Escola (PSE) que atuam na rede estadual. O encontro reunirá cerca de 180 participantes de 21 municípios fluminenses e abordará temas como acolhimento humanizado, identificação precoce de violências e encaminhamento correto de casos na rede de proteção.
Essa formação vai de encontro a um diagnóstico recente apresentado pela pesquisa nacional “Livres para Sonhar”, da Associação Serenas e do Plano CDE, que mostra que 86% dos professores acreditam que a violência baseada em gênero compromete o futuro das meninas e 77% afirmam precisar de capacitação para lidar com o problema nas escolas.
A iniciativa integra uma articulação entre as Secretarias estaduais da Mulher, Educação e Saúde, em parceria com a Associação Serenas, com foco na prevenção das violências que atravessam a vida escolar de meninas e adolescentes e comprometem seu direito de permanecer, aprender e projetar o próprio futuro.
Sobre a formação
O Nós+Seguras atua na prevenção e no acolhimento dentro das escolas estaduais, uma rede que atende a cerca de 600 mil estudantes.
O programa prevê a formação de profissionais da educação e da saúde, o fortalecimento das redes de proteção, atividades com estudantes e a distribuição de materiais pedagógicos acessíveis, com o objetivo de construir um ambiente escolar mais seguro e atento às desigualdades de gênero.
A formação teve início em novembro de 2025, quando 180 agentes do Programa Saúde na Escola (PSE) passaram a integrar um ciclo formativo voltado à prevenção da violência contra meninas e mulheres. O encontro do dia 23 corresponde ao terceiro módulo dessa formação.
Divididos em quatro turmas de aproximadamente 45 pessoas, esses profissionais participam de uma capacitação que aborda temas como boas práticas no território, acolhimento humanizado, rota crítica do atendimento, relações abusivas entre jovens, equidade de gênero nas políticas de saúde e educação e direitos e saúde sexual e reprodutiva.
O estudo “Livres para Sonhar” aponta também que sete em cada dez professores já perceberam impactos diretos da violência baseada em gênero na vida das alunas, como queda na frequência escolar, dificuldade de concentração, medo de participar das aulas e piora da autoestima.
Além disso, 29% dos docentes afirmam se sentir pouco ou nada preparados para discutir o tema com estudantes, enquanto 38% apontam a ausência de protocolos claros como um dos principais obstáculos para lidar com situações de violência.
Para Giulia Luz, superintendente de Enfrentamento às Violências da Secretaria de Estado da Mulher, a formação busca desde a inclusão dessa temática no currículo até o desenvolvimento de um fluxo integrado para encaminhamento de casos de violência, desde sinais iniciais até casos mais graves.
“A violência contra meninas não começa no extremo. Começa no comentário, na regra seletiva, no olhar que reprova. A formação prepara os profissionais para identificar esses primeiros sinais, mas também para reconhecer situações mais graves e saber acolher e encaminhar corretamente cada caso dentro da rede de proteção”, afirma.
“Trabalhar com agentes do PSE é transformador. São essas pessoas que poderão disseminar conhecimentos para outros profissionais da escola, promovendo uma mudança em cascata e de forma intersetorial que perdurará por muito tempo e resultará na prevenção das violências contra as meninas do estado do Rio de Janeiro”, destaca Amanda Sadalla, diretora-executiva da Associação Serenas.
Impacto no futuro e na vida escolar
– 86% dos professores acreditam que a violência baseada no gênero compromete o futuro das meninas.
– 7 em cada 10 professores já perceberam impactos diretos dessa violência na trajetória das alunas, como queda na frequência escolar, dificuldade de concentração e piora da autoestima.
– A cada 10 vítimas de estupro no Brasil, 6 são meninas com menos de 13 anos (dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2023).
– Diariamente, 26 meninas menores de 14 anos tornam-se mães no Brasil.
Desafios e necessidade de capacitação docente
– 77% dos professores afirmam que precisam de capacitação específica para lidar com a violência de gênero nas escolas.
– 29% dos docentes declaram sentir-se pouco ou nada preparados para discutir o tema com os estudantes.
– 38% dos professores apontam a ausência de protocolos institucionais claros como um dos principais obstáculos para enfrentar situações de violência.
Abrangência do programa Nós+Seguras (RJ)
– 600 mil estudantes da rede estadual do Rio de Janeiro é o público-alvo que o programa pretende alcançar.
– 180 agentes do Programa Saúde na Escola (PSE), vindos de 21 municípios fluminenses, participam da atual etapa de formação.





