O prefeito Eduardo Paes falou sobre a situação da segurança pública no Rio, neste domingo (15), durante o início do patrulhamento de agentes da Força Municipal, divisão de elite da Guarda Municipal. No Centro de Operações da Prefeitura (COR), Paes destacou o problema sistêmico da violência na capital.
“O Rio de Janeiro já viu de tudo. Governante que ia acabar com a violência em três meses, o que ia dar ‘tiro na cabecinha’, governantes ou secretários governantes metidos a valentões. Só no governo Cláudio Castro, são quatro secretários ligados à área de segurança pública presos por ligações com o crime”, começou.
“Nós estamos aqui fazendo algo sério. Segurança pública não se faz com cara feia e nem discurso valentão. Se faz com administração pública, planejamento, gestão. Assim que vai se transformar a segurança pública no estado do Rio”, enfatizou o prefeito.
“Não dá para o policial arriscar sua vida diariamente quando todo dia vê no noticiário o governador envolvido em escândalo. Quando ele vê, principalmente, o governador ser leniente, conivente, quando seus secretários são presos”, disse.
Sobre a prisão do vereador Salvino Oliveira, o prefeito foi enfático. “Nós não vamos aceitar uso político das forças policiais. Todo mundo viu o que aconteceu. Se algum agente público, político, envolvido comigo, tiver alguma ligação com o crime, não vou me omitir igual faz o Governo do Estado. Eu desafiei o governador do estado a falar dos quatro secretários presos dele desde quarta, não ouvimos uma palavra ainda. Não há nada contra o secretário Salvino. Se houver, ele deixa de contar com a minha solidariedade”, salientou Paes.
O parlamentar deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, na tarde de sexta-feira (13), após decisão do desembargador Marcus Henrique Basílio que revogou a prisão temporária decretada durante uma operação da Polícia Civil contra o Comando Vermelho.
Na decisão, o magistrado considerou que os elementos apresentados até o momento são insuficientes para justificar a manutenção da prisão. Apesar da soltura, o vereador terá que cumprir medidas cautelares, como não se ausentar do estado por mais de 15 dias sem autorização judicial e não manter contato com outros investigados.
A operação
Salvino foi um dos sete presos na Operação Contenção Red Legacy, deflagrada na quarta-feira (11), que teve como alvo a estrutura nacional da facção criminosa. De acordo com a Polícia Civil, a prisão foi solicitada após a identificação de indícios de ligação do parlamentar com integrantes do grupo.
Segundo as investigações, o vereador teria tentado interferir politicamente em áreas dominadas pelo tráfico com o objetivo de fortalecer bases eleitorais. A corporação aponta ainda que ele teria buscado autorização indireta do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para realizar campanha na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Oeste.
A comunicação com o comando da facção, conforme a investigação, teria ocorrido por meio de um intermediário conhecido como “Dom”, apontado como elo entre o núcleo operacional do grupo criminoso e agentes externos. O homem foi executado em maio de 2025 em um caso tratado pela polícia como possível queima de arquivo.
Quiosques
Outro ponto apurado pelos investigadores envolve a construção de quiosques na região. Segundo a Polícia Civil, parte das estruturas teria sido destinada a beneficiários indicados por integrantes da facção, sem processo público transparente. A corporação também sustenta que o vereador teria atuado para viabilizar a liberação de parte desses espaços.
O vereador nega qualquer ligação com o tráfico e afirma ser vítima de perseguição política. Ele também disse não conhecer o traficante citado nas investigações nem pessoas apontadas como intermediárias.
Embate político
A prisão do parlamentar provocou forte reação política e levou a trocas públicas de críticas entre o prefeito do Rio e o governador do estado. Nas redes sociais, o governador afirmou que o vereador seria ligado ao comando da facção dentro da administração municipal.
Já o prefeito saiu em defesa de pessoas próximas e criticou o que classificou como tentativas de ataque político ao seu grupo.
Salvino Oliveira integrou o primeiro escalão da prefeitura entre 2021 e 2024, quando ocupou o cargo de secretário municipal da Juventude. Ele deixou a função para disputar uma vaga na Câmara de Vereadores nas eleições seguintes.
As investigações seguem em andamento para esclarecer a eventual participação do parlamentar no esquema investigado pela Polícia Civil.
Com informações da Agenda do Poder








