PMs são presos após roubo de 11 celulares durante abordagem a ônibus no Arco Metropolitano, no Rio

Segundo o Ministério Público, policiais estavam fardados e levaram iPhones avaliados em mais de R$ 100 mil de comerciantes que viajavam para Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense

Três policiais militares foram presos após serem denunciados por roubar 11 celulares durante a interceptação de um ônibus de turismo no Arco Metropolitano, na altura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os agentes estavam fardados e em serviço no momento da ação.

Joás Ramos do Nascimento, Denis Willians Neres Alpoim e Rogério Vieira Guimarães tiveram a denúncia aceita pela Justiça, que também decretou a prisão preventiva dos três.

De acordo com as investigações, o caso ocorreu em 10 de maio do ano passado. Na ocasião, os militares atuavam no Destacamento de Polícia de Jardim Primavera, em Duque de Caxias, quando interceptaram um ônibus que transportava passageiros pela região.

A abordagem foi feita por uma viatura policial com a sirene desligada. Um carro sem identificação oficial também acompanhava a ação, com quatro pessoas ainda não identificadas.

Durante a fiscalização, os agentes solicitaram a abertura do bagageiro do ônibus, mas nenhum material ilegal foi encontrado. Ao revistar os passageiros, localizaram 11 iPhones transportados por dois comerciantes que haviam saído de São Paulo com destino a Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

Os celulares foram recolhidos sob a justificativa de ausência de nota fiscal no momento da abordagem. Testemunhas afirmaram, porém, que os comerciantes não puderam apresentar a documentação posteriormente e também não foram levados a uma delegacia para esclarecimentos.

O prejuízo causado às vítimas ultrapassa R$ 100 mil. Durante a investigação, foi constatado que os policiais não utilizavam câmeras corporais no momento da ação, o que dificultou a confirmação direta do ocorrido. Ainda assim, dados do GPS da viatura indicaram que o veículo policial esteve no local no horário do crime.

Após a prisão, dois dos celulares roubados foram encontrados com um dos agentes — um estava sendo utilizado pelo próprio militar e outro por sua esposa. Os demais aparelhos já foram identificados, e as pessoas que estão com eles deverão ser notificadas para devolução.

O caso começou a ser apurado pela Corregedoria da Polícia Militar, que identificou indícios de crime militar e encaminhou o processo ao Ministério Público.

Ao decretar a prisão preventiva, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venancio Braga, da Auditoria Militar, destacou que há outras denúncias envolvendo abordagens semelhantes na mesma região. Segundo o magistrado, a permanência dos agentes em liberdade poderia representar risco à ordem pública.

Testemunhas também relataram um episódio ocorrido cerca de um mês antes, quando comerciantes que viajavam para Campos dos Goytacazes disseram ter sido abordados por policiais na altura de Seropédica e pressionados a pagar R$ 30 mil para evitar a apreensão de uma carga de celulares.

O Ministério Público investiga agora se o grupo pode estar envolvido em outros casos semelhantes registrados na região

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