Leilão para escolher empresa substituta da SuperVia em operação dos trens do Rio será realizado nesta terça

Certame marcado pela Justiça prevê contrato de cinco anos, mudança no modelo de remuneração e transição assistida do sistema ferroviário | Foto: Divulgação / Supervia

O leilão judicial que vai definir o novo operador do sistema de trens urbanos do Estado do Rio de Janeiro será realizado nesta terça-feira (10). A data foi marcada pela 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, responsável por conduzir o processo que substituirá a SuperVia na operação da malha ferroviária estadual.

De acordo com o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Transporte e Mobilidade, o valor estimado da contratação é de R$ 660 milhões. A empresa vencedora terá permissão inicial de cinco anos para operar o sistema, com possibilidade de renovação por igual período.

Como funcionará o leilão

O edital do leilão está disponível desde 7 de janeiro no site da Secretaria de Transporte e Mobilidade. O critério para definição do vencedor será o maior desconto oferecido sobre a tarifa de remuneração, fixada inicialmente em R$ 17,60 por carro/quilômetro. Vence a proposta que apresentar o maior percentual de deságio.

O certame ocorre no âmbito do processo de recuperação judicial da SuperVia. Após a assinatura do novo contrato, está prevista uma fase de operação assistida com duração de 90 dias, período em que a atual concessionária e o novo operador atuarão de forma conjunta, para garantir a continuidade do serviço.

O leilão estava inicialmente previsto para o dia 27 de janeiro, mas foi adiado após ajustes no edital, que passou a ser divulgado oficialmente pela Justiça.

Mudança no modelo de remuneração

Uma das principais alterações previstas no novo contrato é a mudança no modelo de pagamento do operador. A remuneração deixará de ser baseada no número de passageiros transportados e passará a considerar o quilômetro rodado.

Segundo o governo estadual, a mudança busca dar maior previsibilidade ao controle das tarifas e reduzir pedidos de reequilíbrio contratual motivados por quedas de demanda. O contrato também prevê a adoção de índices de desempenho, que deverão ser cumpridos pelo operador para assegurar padrões mínimos de qualidade do serviço.

Para tornar o leilão mais atrativo, foi criada a Unidade Produtiva Isolada Ferroviária (UPI Ferroviária), mecanismo que permite ao novo operador assumir a gestão do sistema sem herdar dívidas ou passivos judiciais da SuperVia.

Também foi instituído um fundo, a ser administrado pelo responsável judicial pelo processo, com o objetivo de preservar a atividade econômica e evitar a interrupção do serviço durante a transição. A decisão sobre a manutenção dos postos de trabalho ficará a cargo da nova operadora.

Sistema atende 300 mil passageiros por dia

A malha ferroviária do Estado do Rio de Janeiro possui cerca de 270 quilômetros de extensão, distribuídos em cinco ramais e 104 estações, atendendo 12 municípios da Região Metropolitana. Atualmente, aproximadamente 300 mil passageiros utilizam os trens diariamente.

Durante o período de transição, o governo estadual afirma ter investido R$ 160 milhões no sistema, com ações voltadas à substituição de cabos para reduzir furtos e iniciativas para ampliar a oferta de viagens.

Queixas de superlotação e estrutura precária

A superlotação segue como uma das principais reclamações dos usuários do sistema ferroviário. Passageiros relatam viagens em condições precárias, sobretudo fora de períodos de operação especial.

O valor da passagem, atualmente em R$ 7,60 — ou R$ 5 para usuários da tarifa social — também é alvo de críticas.

Concessão iniciada em 1998

A concessão da SuperVia teve início em 1998. Ao longo dos anos, a empresa acumulou dificuldades financeiras e operacionais. Em 2023, a concessionária informou oficialmente ao governo estadual que não tinha mais condições de manter a operação, citando prejuízos decorrentes da pandemia, furtos de cabos e o congelamento da tarifa.

Um acordo judicial prorrogou a atuação da SuperVia até março de 2026. Até lá, o operador que vencer o leilão judicial deverá concluir a fase de transição e assumir integralmente a operação do sistema ferroviário do estado.

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