Voz da Liberdade: 3ª edição do concurso de música escolhe a melhor cantora do sistema prisional do Rio

Fotos: Gil Soares e Tiago Sousa/Seap/Divulgação.

Quinze presas, entre elas quatro transgênero, emocionaram o público ao transformar suas histórias de vida em potência vocal. Fernand Domingues foi a campeã da edição ao cantar Cara Valente, de Maria Rita

A cela deu lugar ao palco e a música voltou a ocupar um lugar de protagonismo como instrumento de dignidade, expressão e esperança. Na última sexta-feira (23/01), quinze vozes ecoaram pelas paredes do Presídio Djanira Dolores de Oliveira, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Quinze presas, entre elas quatro transexuais, emocionaram o público ao transformar suas histórias de vida em potência vocal. Assim foi a 3ª edição do concurso musical “Voz da Liberdade”, realizado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP), que consagrou Fernanda Fernandes Domingues campeã da edição ao cantar “Cara Valente”, de Maria Rita.

A abertura do evento ficou por conta do grupo gospel Na Graça, cuja apresentação envolveu o público — composto por duzentas pessoas entre autoridades, policiais penais, presas e familiares das candidatas — e reforçou, por meio da fé e da música, a mensagem de superação, esperança e transformação que norteia todo o projeto.

Com um repertório eclético, que foi do Axé ao Gospel, as apresentações foram avaliadas por um júri diverso e sensível à proposta do projeto, reunindo representantes do poder público, dos direitos humanos e nomes de destaque da cultura e do entretenimento, entre eles o ator e cantor Maurício Mattar; a rainha de bateria da Portela, Bianca Monteiro; o apresentador e promotor de eventos David Brazil; a artista drag Shannon Skarllet, semifinalista do Drag Race Brasil; a artista plástica Isabela Francisco; a secretária de Estado de Administração Penitenciária, Maria Rosa Lo Duca Nebel; o chefe de Gabinete da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Anderson Coelho; a subsecretária de Promoção, Defesa e Garantia de Direitos Humanos, Aline Forasteiro; a coordenadora do Centro de Cidadania LGBTQIAPN+ da Baixada, Sharlene Rosa; e o coordenador da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, João Luís Francisco da Silva. O júri avaliou critérios de voz, desempenho, apresentação e simpatia, com notas de 5 a 10.

Juntos, os jurados reforçaram o caráter inclusivo do Voz da Liberdade, ampliando o alcance simbólico do concurso e fortalecendo sua mensagem de respeito, acolhimento e transformação.

Antes de anunciar as três finalistas, Maurício Mattar subiu ao palco para cantar um de seus sucessos: “Nada apaga essa paixão”.

Para conquistarem a vaga na grande final, as candidatas, vindas de sete unidades prisionais do estado, passaram por uma fase classificatória e foram selecionadas entre 50 presas, a partir de critérios objetivos de conduta e envolvimento nas atividades institucionais.

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