Em Milão, 21 anos atrás, Nova Iguaçu discutiu o Meio Ambiente na COP 9 promovida pela ONU

Nova Iguaçu entrou para o seleto grupo de cidades que utilizam o lixo produzido por seus moradores para geração de energia limpa. Usina instalada na Central de Tratamento de Resíduos (CTR) do município, localizada no bairro Adrianópolis, está gerando energia elétrica a partir do biogás produzido pela decomposição do lixo no aterro sanitário.

No momento em que o Brasil recebe chefes de Estado de todo o mundo em Belém para a COP 30, considero importante que as novas gerações saibam que a cidade de Nova Iguaçu, capital da Baixada Fluminense, já participou, de 1 a 12 de setembro de 2003, em Milão, como convidada, da  COP 9 , a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

O evento, 21 anos atrás, foi focado na discussão de como implementar o Protocolo de Kyoto ,um tratado complementar à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, definindo metas de redução de emissões para os países desenvolvidos e os que, à época, apresentavam economia em transição para o capitalismo, considerados os responsáveis históricos pela mudança atual do clima. Foram destacados os mecanismos de flexibilização, o financiamento para adaptação e o uso de sumidouros de carbono. As discussões também incluíram o estabelecimento de regras para projetos de reflorestamento como sumidouros de carbono e a revisão dos relatórios nacionais de 110 países. 

O legado da Cop 9

A COP 9 foi fundamental para consolidar os detalhes técnicos que permitiram a implementação prática do Protocolo de Kyoto. Ao avançar nas questões de adaptação, financiamento e regulamentação dos sumidouros de carbono, a conferência ajudou a preparar o terreno para os países poderem cumprir suas metas de redução de emissões de forma mais clara e transparente.

O fortalecimento do Fundo de Adaptação e o avanço na acessibilidade do MDL foram outros legados importantes da COP 9. Afinal, permitiram que os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, pudessem atrair mais investimentos para projetos sustentáveis. Assim, receberiam o apoio necessário para lidar com os impactos das mudanças climáticas.

Com problemas políticos, Mário Marques não foi a Milão

Acossado por um grupo de vereadores que o ameaçava com uma CPI, Mário Marques (o vice-prefeito que assumiu a prefeitura de Nova Iguaçu com a saída do prefeito Nelson Bornier para disputar e conquistar seu quinto mandato de deputado federal) abriu mão do convite para falar sobre meio ambiente na COP 9. Optou, naqueles dias, por resolver o cotidiano de suas relações políticas com os vereadores da cidade que estava administrando.

Como Vicente Loureiro, secretário municipal de Meio Ambiente, e Giovanni Guidone, Subecretário, estavam em Barcelona e Paris, respectivamente, participando de reuniões de trabalho, coube ao geólogo Frederico Zalán, Superintendente de Meio Ambiente, e a este modestro Jornalista, então responsável pela Área de Comunicação da cidade de Nova Iguaçu, explicar na capital da Lombardia o sucesso do município na questão ambiental com o fim dos lixões em sua periferia, notadamente o da Marambaia, na região de Tinguá.

Naquela COP 9, representamos Nova Iguaçu em discussões sobre crédito de carbono e o Protocolo de Quioto. Frederico hoje é Gerente de Exploração e Operação da BRAZIL IRON LIMITED , uma empresa britânica na Chapada Diamantina, no interior da Bahia.

Paulo Cezar Pereira, Jornalista, e Frederico Zalán, geólogo, participaram da COP 9 em Milão

Créditos de carbono

Nova Iguaçu foi a primeira cidade brasileira a ser cadastrada pela ONU como apta, naquela época, a receber créditos de carbono para projetos ambientais. Nos dois primeiros mandatos de Bornier como prefeito, o município ganhou Áreas de Proteção Ambiental, um Parque Municipal Natural, despoluiu o Rio Dona Eugênia, na divisa com Mesquita, transformou catadores de lixo em cooperativados e deu a eles espaço para trabalhar na reciclagem numa área vizinha à sede do Paço Municipal e acabou com os lixões. A Semuam que Loureiro comandou contava, ainda, com a experiência e os talentos de técnicos e ambientalistas como Luney Martins, Gertrudes Nogueira e Tony Zichter.

Embora Mário Marques tenha inaugurado o Aterro Sanitário construído pela S.A. Paulista em Adrianópolis dias após assumir o cargo de prefeito, foi Bornier quem comandou o processo de negociação administrativa que resultou no contrato de 25 anos de exploração comercial do Aterro Sanitário de Adrianópolis, espaço que recebe até os dias de hoje o lixo de Nova Iguaçu e os de cidades vizinhas. Na ocasião, coube a Paulo Saldanha, que presidia a Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb), as tratativas administrativas com a SA Paulista.

Reciclagem em Bérgamo

Depois da COP 9, visitamos a Montello SpA, uma empresa de reciclagem localizada em Bérgamo, cuja tecnologia é uma história de sucesso e um exemplo de reconversão industrial visando a economia verde. O redirecionamento da empresa remonta a 1996, quando, no período de crise da indústria siderúrgica, a administração decidiu suspender a produção de barras de ferro para construção civil e se transformou em um dos mais avançados centros de tratamento de resíduos da Europa, o único na Itália que realiza o ciclo completo.

A Montello emprega cerca de 500 funcionários. A tecnologia permeia toda a empresa, que conta com máquinas de seleção ótica da Tomra Sorting Recycling capazes de identificar os diferentes tipos de plástico. Apenas uma percentagem pequena ocorre manualmente.

A Montello, uma das maiores empresas de reciclagem da Itália, está localizada em Bérgamo,

Cerca de 150 mil toneladas de embalagens de plástico pós-consumo são recuperadas e recicladas. Isso representa, para o meio ambiente, cerca de 200 mil toneladas de emissões de CO2 por ano. Além disso, a empresa faz triagem e tratamento de cerca de 300 mil toneladas de resíduos orgânicos coletados separadamente, da qual a empresa extrai o biogás (para a produção de energia que alimenta suas instalações) e fertilizantes de qualidade. O biogás produzido na Montello era utilizado na iluminação de prédios públicos em Bérgamo sem custos para a prefeitura.

*Paulo Cezar Pereira, Jornalista, Editor Chefe do Nova Iguassu Online

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