Ao menos 64 corpos são levados por moradores para praça na Penha; total de mortos após megaoperação chega a 128

Cadáveres teriam sido retirados da área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais violentos entre policiais e traficantes

Pelo menos 64 corpos foram levados até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Os cadáveres teriam sido retirados da mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais violentos entre policiais e traficantes na megaoperação de terça-feira. Entre os que acompanham a cena predomina o silêncio profundo, enquanto muitos se aproximam para tentar reconhecer os mortos. Pessoas com luvas estão cortando partes das roupas dos mortos para facilitar a identificação. É esse grupo que contabiliza os mortos.

Imagem de drone mostra corpos levados a praça no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 29 de outubro de 2025 — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Desde terça (28), já são 128 mortes. O último balanço divulgado pelo governo do RJ dava conta de 60 criminosos e 4 policiais civis e militares mortos. Os corpos levados à praça não constavam dos números oficiais, informou o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, nesta quarta.

Haverá uma perícia para confirmar se há relação entre essas mortes e a operação.

“Se realmente se tratar de novos óbitos, o total de mortes pode ultrapassar 100.”

Moradores afirmaram que ainda há muitos mortos no alto do morro.

 

Às 3h, uma fileira de cadáveres começava se formar na Praça São Lucas. Nas horas seguintes mais corpos foram levados até o local. Eles chegaram no endereço transportados em caçambas de caminhonetes e são retirados pelos próprios moradores, antes de serem adicionados à fileira que já soma dezenas de mortos. No início da manhã, por volta de 7h30, mais corpos ainda chegavam à praça.

Pouco antes das 8h três rabecões se posicionaram perto dos cadáveres. A maioria deles começou a ser descoberta, enquanto centenas de pessoas acompanhavam a cena.

— Cadê o meu filho? — gritou uma mulher.

Algumas pessoas argumentaram que um dos homens teria se entregado à polícia e, mesmo assim, foi morto.

— Nunca vi isso — diz um morador.

Moradores levam 40 corpos para praça do Complexo da Penha. Rio — Foto: Fabiano Rocha

Os moradores da comunidade se aproximam dos mortos e levantam os lençóis e cobertores que os cobriam para ver os seus rostos e reconhecê-los. No entorno, dezenas de pessoas observam a cena e apontam para os corpos, enquanto outros limpam as lágrimas e rezam. Uma família se ajoelhou ao redor de um dos mortos:

— Como pode destruir tantas famílias, tantas vidas? E ficar por isso mesmo? — disse a mãe, enquanto passava a mão no rosto do filho morto.

O ativista Raull Santiago esteve entre aqueles que viraram a madrugada em busca de corpos na favela. Na manhã desta quarta-feira, ele publicou um vídeo nas redes sociais enquanto estava na área de mata que liga o Complexo do Alemão ao Complexo da Penha. Santiago, que estava acompanhado de moradores e advogados, descrevia já ter encontrado doze corpos. Na gravação, ele mostrou marcas de sangue espalhadas na terra.

— Não dormi ainda. Amanheci aqui nesse caos. Não estou achando palavras. Estou com nojo — disse o ativista, que horas depois compartilhou outro vídeo no Instagram, já fora da mata — A ficha está começando a cair. O cheiro podre de pessoas mortas. O grito, o choro. E tem mais corpos chegando, os carros acabaram de subir, porque mais pessoas foram encontradas na favela.

Mulher vela corpo de homem na Vacaria — Foto: Cesar Salles/Arquivo pessoal
Foto mostra corpos colocados em praça no Complexo da Penha, no dia seguinte à operação mais letal da história do RJ — Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo

Corpos largados em hospital

Mais cedo, moradores transportaram 6 corpos em uma Kombi para o Hospital Estadual Getúlio Vargas.

O veículo chegou em alta velocidade e saiu rapidamente do local.

Seis corpos chegam ao HGV após megaoperação — Foto: Reprodução/TV Globo

Com informações do O Globo e g1

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