Na véspera do julgamento, Jair Bolsonaro quis saber de Arthur Lira se anistia “vai ou racha”

O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, nesta segunda-feira (1º), o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, em sua casa em Brasília

O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, nesta segunda-feira (1º), o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, em sua casa em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar.

Segundo interlocutores, Bolsonaro manteve o tom descontraído característico, mas concentrou a conversa em um único tema: a anistia que pode livrá-lo da prisão. O ex-presidente quis ouvir de Lira, “com sinceridade”, se há chances reais de o projeto avançar no plenário, considerando a influência que o alagoano ainda exerce sobre o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Segundo fontes, Lira avaliou que, no momento, não existe clima político para votação. Admitiu, porém, que uma forte mobilização popular poderia mudar o cenário. O deputado ressaltou ainda que uma versão mais branda da proposta teria maior chance de tramitar, embora essa alternativa seja rejeitada por Bolsonaro.

O encontro durou cerca de uma hora. O carro de Lira não entrou na garagem, o que evitou revista. Policiais penais acompanharam a movimentação do lado de fora da residência.

Moraes autorizou visita

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o deputado Arthur Lira a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.


O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília. Na decisão do ministro, ele afirma que a visita deve ocorrer até as 6 horas da tarde desta segunda-feira. Além disso, todos os veículos que saírem da casa de Bolsonaro devem ser completamente vistoriados pelas autoridades.


Mais cedo, a senadora Damares Alves visitou o ex-presidente, após obter uma autorização do ministro Moraes. Ela afirmou que orou com Bolsonaro e que os dois trocaram palavras de solidariedade um ao outro pelos problemas de saúde que enfrentam. O carro da senadora não foi revistado, porque não entrou no condomínio.

Julgamento

Nesta terça-feira (2), dá-se início ao julgamento que pode condenar Bolsonaro e mais sete aliados pela suposta trama golpista que tentou reverter o resultado das eleições de 2022. Naquele segundo turno, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa contra o candidato à reeleição.

A sessão será aberta às 9h pelo presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Cristiano Zanin. Em seguida, o magistrado chamará o processo para julgamento e dará a palavra a Alexandre de Moraes, relator da ação penal. 

A ação penal se refere ao chamado “Núcleo Crucial” ou “Núcleo 1” da trama e será julgada pela Primeira Turma, responsável pela análise do caso porque o ministro Moraes, relator do processo, pertence a esse colegiado.

Réus

São os réus do “Núcleo Crucial” da trama golpista:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice na chapa de 2022;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e quem delatou o ex-presidente e cúpula do governo anterior.

Crimes 

Todos os réus respondem no Supremo pelos crimes de:

  • organização criminosa armada;
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • golpe de Estado,
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça; e
  • deterioração de patrimônio tombado

A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, atualmente, deputado federal. O parlamentar foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição.

A suspensão para Ramagem vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.

Com informações da Band.com.br

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