No mesmo dia em que um sobrado desabou na esquina das ruas Senador Pompeu e Visconde da Gávea, no Centro, na última quinta-feira, a representação do Itamaraty no Rio de Janeiro solicitou à Defesa Civil estadual vistorias em 37 endereços de imóveis que circundam a sede do órgão na região. Abandonados, a maioria está visivelmente degradada e com sinais de falta de manutenção: tijolos já caídos no chão, vegetação cobrindo parte da fachada e infiltração nas paredes puídas. No documento, o órgão pede que a fiscalização aconteça “com a maior brevidade possível”.
A solicitação foi feita pelo Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio, localizado na Avenida Marechal Floriano, 196, no Centro. No mesmo quarteirão, há vários imóveis antigos com estrutura danificada. O desabamento da última quinta-feira, que causou a morte de um homem de 38 anos, levou o órgão a manifestar preocupação com os demais edifícios do entorno.
“É importante destacar que este imóvel se encontrava bem próximo de imóveis que integram o Complexo Arquitetônico do Itamaraty no Rio de Janeiro e que se apresentam em péssimas condições. Alguns, inclusive, invadidos por famílias”, descreveu a embaixadora Marcia Maro da Silva.
Os 37 endereços listados no documento são de imóveis localizados na Rua Visconde da Gávea números 18 e 20, 22, 24, 26/28, 30, 32, 34, 36/38/40, 42, 44, 46, 48/50, 54/54-A/56/56-A, 58, 60/62/64/66/68 e 70/70-A e na Rua Senador Pompeu números 131, 133, 135/135-A, 137, 139, 141, 143, 145,147, 149, 151, 153, 155, 157, 159, 161, 163,165, 167 e 171.
No ofício, o texto chama atenção, ainda, para o risco à segurança das pessoas e para o início da época de chuvas, o que piora a situação de construções antigas sem conservação: “Gostaria de solicitar a realização de vistoria, com a maior brevidade possível, nos imóveis (…) com o propósito de que sejam evitadas tragédias futuras, caso a Defesa Civil considere necessária a interdição desses bens”, diz a embaixadora.
Um dos imóveis, no número 131 da Rua Senador Pompeu, tem a fachada e os portões cimentados no andar térreo. No segundo andar, a estrutura antiga denuncia o abandono, com paredes descascando, janelas entreabertas com vidros quebrados e alguns tijolos faltando. Moradores e comerciantes relatam sem perplexidade a expectativa de outro desabamento a qualquer momento.
— É um perigo. Essa é a próxima a cair. É só parede, está tudo descascado, tudo oco. Quando chove, o cimento cede. Tem várias assim. Os proprietários abandonaram, e a prefeitura não faz nada. Vai cair feio isso aí, igual a do número 172 — alerta Marcio Bluhm, morador da região.
Procurada pela reportagem, a Defesa Civil estadual não respondeu sobre o que seria feito pelo órgão em relação aos imóveis apontados pelo Ministério das Relações Exteriores, apesar de ter confirmado o recebimento do ofício no dia seguinte ao envio. Além disso, o órgão estadual se limitou a sugerir “contato com a Defesa Civil do município, responsável por questões estruturais”. Esta, por sua vez, disse que acompanha a demolição do casarão da Rua Senador Pompeu, mas que não recebeu nenhum documento do Itamaraty.
Com informações de O GLOBO.