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19 de abril: memória dos Povos Originários atravessa a história da Baixada Fluminense

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No Dia dos Povos Originários, celebrado em 19 de abril, a Baixada Fluminense surge como parte de uma história que começa antes da formação dos atuais municípios. A ocupação colonial redesenhou o território, mas não apagou os vestígios materiais, os nomes de origem tupi, as rotas fluviais e a presença contemporânea de pessoas e famílias que mantêm vínculos com identidades originárias. No recôncavo da Guanabara, onde hoje está parte da Baixada, havia dezenas de aldeias antes da repartição das terras em sesmarias no século XVI.

Em Nova Iguaçu, a própria formação histórica do município está ligada ao Rio Iguaçu. Segundo a prefeitura, o município foi criado em 15 de janeiro de 1833, com sede às margens do rio que lhe deu nome. Antes disso, a área já integrava circuitos de circulação e ocupação muito anteriores à constituição administrativa da cidade. Em 2020, o Iphan destacou que povos pertencentes ao tronco Tupi foram os últimos povos indígenas a habitar o território atualmente conhecido como Nova Iguaçu.

A permanência dessa memória também aparece nos registros arqueológicos. Em 2025, a Prefeitura de Nova Iguaçu informou que o futuro Museu de Arqueologia e Etnologia da cidade reunirá parte de um acervo com mais de 150 mil fragmentos encontrados em escavações no Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha, área tratada como marco das origens do município. Já um levantamento acadêmico sobre o patrimônio arqueológico da antiga área de Nova Iguaçu e distritos emancipados listou 47 sítios arqueológicos já registrados no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Iphan, além de outros 32 identificados em levantamento preliminar.

Em Duque de Caxias, a relação entre território e memória também passa pelos rios. O município informa que sua história está ligada às bacias do Iguaçu, Meriti, Sarapuí e Estrela e lembra que, até a década de 1940, a área atual de Caxias integrava o antigo município de Nova Iguaçu. No bairro São Bento, um dos principais marcos arqueológicos da cidade reforça a antiguidade dessa ocupação: o Sítio Arqueológico Sambaqui do São Bento. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, escavações realizadas no local revelaram dois corpos masculinos datados de 4 mil anos antes do presente, além de artefatos associados a grupos que viviam da pesca, da caça e da coleta. O sítio também consta no cadastro do Iphan.

Os dados mais recentes do IBGE também mostram que essa presença não pertence apenas ao passado. No Censo 2022, Nova Iguaçu registrou 563 pessoas indígenas, enquanto Duque de Caxias registrou 834. Os dados reforçam que o debate sobre Povos Originários na Baixada não se limita à memória histórica, mas também diz respeito à presença contemporânea dessas populações em contextos urbanos.

É nesse contexto que o Cultura na Faixa, projeto da ONG Se Essa Rua Fosse Minha (SER), por meio de convênio com a Transpetro, desenvolve ações em territórios da Baixada. As unidades estão localizadas no Geneciano, em Nova Iguaçu, e no Ana Clara, em Duque de Caxias. Ao atuar nesses territórios, o projeto se insere em municípios atravessados por histórias de formação social, disputas de memória e diversidade cultural.

Mais do que uma data no calendário, o 19 de abril funciona como uma oportunidade para recolocar em evidência uma dimensão muitas vezes apagada da história fluminense. “Falar dos Povos Originários é reconhecer que os territórios onde o projeto atua têm uma história anterior à urbanização e à formação dos municípios como conhecemos hoje. Em Nova Iguaçu e Duque de Caxias, essa memória ajuda a ampliar o debate sobre diversidade cultural, pertencimento e respeito às diferentes trajetórias que formam a Baixada Fluminense”, conclui Geraldo Bastos, gerente de RH e Mobilização Social do projeto.

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