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Jornalistas, autoridades e acadêmicos debatem a Segurança Pública no Rio na ABI nesta terça-feira,18

Em um momento crítico para a segurança pública do Rio de Janeiro, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) sediará o seminário O Nó Cego da Segurança no Rio: Estratégias para Superar o Confronto e Salvar Vidas. O evento, que acontece na próxima terça-feira (18), das 10h às 18h, na sede histórica da entidade, reunirá autoridades, acadêmicos, operadores de segurança das polícias Civil e Militar, e jornalistas para um debate profundo e multidisciplinar sobre os rumos do combate ao crime no estado.

​O objetivo central do seminário é buscar alternativas viáveis que ultrapassem a atual e trágica lógica do confronto, que vitimiza diariamente moradores de áreas conflagradas e agentes de segurança. O Rio de Janeiro enfrenta o desafio complexo da retomada de territórios dominados por facções do tráfico e grupos milicianos, e a ABI, cumprindo seu papel histórico de fórum de debates da sociedade civil, abre suas portas para uma discussão qualificada e propositiva.

​A abertura do evento, marcada para as 10h, será feita pelo presidente da ABI, o jornalista Octavio Costa, que contextualizará a urgência do debate.

​Em seguida, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, ministrará a palestra de abertura com o tema Retomada de territórios dominados pelo tráfico e milícia. Será uma oportunidade crucial para que o poder público apresente o diagnóstico atual, as estratégias em curso e as perspectivas da pasta para reverter o cenário de violência.

Mesa 1: Segurança Pública: O que fazer? (11h)

​O primeiro painel do dia, com início às 11h, colocará em perspectiva a questão central: O que fazer?. O debate reunirá três vozes com vasta experiência prática e acadêmica no campo da segurança.

​Participam Ibis Pereira, advogado, Coronel da Reserva da PMRJ e Doutor em História Política, conhecido por sua análise crítica e profunda das estruturas de policiamento; Leonardo Affonso, Delegado da Polícia Civil do RJ e presidente do Sindicato dos Delegados (SINDEPOL-RJ), trazendo a visão da polícia judiciária e os desafios da investigação; e Antonio Carlos Carballo, Coronel da Reserva da PMRJ, que foi diretor geral de ensino da corporação e Coordenador do GPAE (Grupamento de Policiamento de Áreas Especiais), a unidade que antecedeu as UPPs, trazendo um conhecimento único sobre projetos de policiamento comunitário e de proximidade.

​Este painel buscará respostas sobre falhas e possíveis acertos em modelos de policiamento, a necessidade de integração e os caminhos para uma polícia mais eficiente e menos letal. A mediação será da jornalista Paula Mairan, com vasta experiência na cobertura de segurança, acompanhou de perto a CPI das milícias e integrou a equipe que elaborou o relatório da CPI das armas.

​Após o intervalo de almoço, o seminário retoma às 14h.

Mesa 2: Proliferação de armas pesadas e Sistema financeiro do crime (14h)

​A segunda mesa mergulhará nos pilares que sustentam as organizações criminosas: o poder de fogo e o dinheiro. Nenhum debate sobre segurança avançará sem o entendimento claro das rotas do tráfico de armas e dos mecanismos de lavagem de dinheiro que financiam o crime organizado.

​Para debater o tema, o painel contará com Carolina Christoph Grillo, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora do GENI/UFF (Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos), uma das principais referências acadêmicas no estudo das facções e milícias no Rio; Eduardo Santos de Oliveira Benones, Procurador da República (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro), que atua diretamente na asfixia financeira de grupos criminosos; e Ignacio Cano, sociólogo, professor da UERJ e membro do Laboratório de Análise da Violência (LAV-UERJ), que trará dados e análises sobre o impacto da proliferação de armas na letalidade violenta.

​A mediação será do jornalista Antonio Werneck, repórter investigativo com vasta experiência na cobertura de segurança e crime organizado.

Mesa 3: O papel da imprensa na cobertura da segurança pública (16h)

​Encerrando o evento, a Mesa 3 trará o debate para o cerne da ABI: o jornalismo. O papel da imprensa na cobertura da segurança pública discutirá os desafios éticos, os riscos físicos e as narrativas construídas pela mídia ao cobrir um tema tão complexo.

​O painel é formado por profissionais que vivem essa realidade em diferentes frentes: a repórter Clara Nery, da Band, que está diariamente nas ruas cobrindo operações; o jornalista Chico Otávio, professor da PUC/RJ e um dos mais respeitados repórteres investigativos do país; e Fabio Leon, Coordenador de Comunicação do Fórum Grita Baixada e repórter do Rio On Watch, trazendo a perspectiva crucial da comunicação comunitária e dos territórios periféricos.

​Completam o time o jornalista Marcelo Auler, repórter e comentarista do site e TV 247, com foco na fiscalização dos agentes públicos; e Sergio Ramalho, escritor e jornalista, autor do livro “Decaído”, vencedor do 47° Prêmio Vladimir Herzog por sua investigação sobre a corrupção policial. A mediação será da jornalista Cecilia Oliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado.

​O evento é gratuito e aberto ao público.

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