Witzel afirma que presos pelo assassinato de Marielle e Anderson poderão fazer delação premiada

março 12, 2019 /

O governador Wilson Witzel concedeu uma coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira (12), junto com o secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, e delegados da Delegacia de Homicídios (DH), para esclarecer a prisão de PM reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, suspeitos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Segundo Wilson Witzel, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, poderão fazer uma delação premiada para revelar o mandante do crime. “Esses que foram presos hoje certamente poderão pensar em uma delação premiada e isso faz parte da investigação. Foi um avanço surpreendente da Lava Jato, utilizando essas técnicas de investigação”, disse o governador.

De acordo com Witzel, hoje o estado trouxe respostas à população. “É uma resposta importante que nós estamos dando para a sociedade: a elucidação de um crime bárbaro cometido contra uma parlamentar, uma mulher, no exercício de sua atividade democrática. Teve sua vida ceifada de forma inaceitável. Mas muito mais ainda inaceitável porque estava exercendo seu mandato”, disse o governador.

No encontro, o chefe da Divisão de Homicídios da Capital, Giniton Lages, justificou o tempo que demorou para se chegar aos dois envolvidos. Segundo o delegado, na maioria dos crimes as testemunhas ajudam a solucionar, mas, nesse caso, a execução e o monitoramento não ajudaram. “Não estamos diante de um crime passional. Não se trata disso. Percebemos isso desde o início. Determinados casos, pela complexidade, não vão fechar rápido. Foi necessário se concentrar no que aconteceu antes do crime.”, explicou.

Giniton, detalhou que a investigação ouviu 230 testemunhas, interceptou 318 linhas telefônicas e chegou a um complexo rastro de vestígios deixados pelos suspeitos. E destacou, ainda, que 2.428 antenas foram quebradas para monitorar celulares na investigação do caso.

Para o delegado Giniton Lages, esse é um “crime fora do normal”, pois os autores permaneceram dentro do veículo por duas horas. “Em momento nenhum saíram do carro. Não saíram do veículo nem na hora do assassinato. A dinâmica mostra que esse era um crime fora do normal. Em 80% dos casos, os assassinos são solucionados por meio de testemunhas – e isso não seria possível nesse caso”, afirmou.

Segundo a polícia, Lessa foi o autor dos disparos que atingiram Marielle e Anderson, enquanto Élcio foi o condutor do veículo utilizado no assassinato. Agora, os investigadores tentam esclarecer quem foi o mandante e qual a motivação do crime.

Ronnie e Élcio foram presos na manhã desta terça-feira (12), em uma operação conjunta da Divisão de Homicídios e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Eles também respondem pela tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora da vereadora.

Aloma Carvalho