Vicente Loureiro: Tudo a 15 minutos de casa, a pé ou de bicicleta

fevereiro 4, 2020 /

Vicente Loureiro

Primeiro foi Melbourne, na Austrália, a propor algo semelhante. Agora é a vez de Paris aderir a novidade quando sua prefeita Anne Hidalgo anuncia o radical plano CIDADE DE 15 MINUTOS. Ela recomenda que comodidades, empregos, compras e serviços estejam perto de casa e alcançáveis, nesse tempo, a pé ou de bicicleta.

Trata-se de uma  revolução no modo de planejar e gerir as áreas públicas, sobretudo as vias urbanas., transformando – as em espaços livres das emissões de carbono e amigáveis aos pedestres e ciclistas . Acabando para isso com as vagas de rua e reduzindo faixas destinadas aos carros para destiná – las ao alargamento das calçadas ou implantação de ciclovias. Chegando inclusive a sugerir que as principais artérias da cidade tornem – se inacessíveis aos automóveis. Apostando assim todas as fichas no fim da era dos carros onipresentes. Sem dúvida uma grande ousadia.

No caso do Plano para Paris o autor do conceito é o Urbanista da Sorbone Carlos Moreno. Chama isso de Crono – Urbanismo, ou urbanismo do tempo. Propondo uma mudança radical na relação dos moradores e usuários da cidade com o tempo, sobretudo o gasto com a mobilidade. Pois infelizmente, na maioria dos casos, eles trabalham longe de onde moram e muitas das vezes o acesso a serviços públicos essenciais de educação, saúde e lazer exigem também deslocamentos longos e dispendiosos.

Mas não será tarefa fácil mudar a visão cristalizada que a maioria das pessoas tem da cidade e a partir daí conseguir transformar os modos consagrados de uso das vias e espaços livres. E principalmente convencer empresas a investirem em postos de trabalho remotos e horários mais flexíveis. Além de aproveitarem as mudanças provocadas no mundo do trabalho, pela revolução tecnológica em curso, para ajudar a deslocar o cep dos empregos e contribuir para que o Plano proposto para Paris consiga atingir sua meta síntese: a reaproximação física e cronológica do trabalho, da moradia e das comodidades urbanas.

Para tanto os bairros deverão ter cada vez mais parques e serviços públicos. Suas escolas, nos fins de semana, precisarão ser abertas para o lazer e entretenimento dos moradores. As praças e áreas livres serão também incrementadas com playgrounds e equipamentos para a prática de esportes diversos. Pequenos quiosques poderão trazer novos serviços . São muitas as idéias e a vontade da prefeita em implantar tais mudanças parece irremovível. Se vai ter êxito ou não, e quanto de redução efetiva do tempo gasto pelas pessoas ,na busca cotidiana pelo essencial, ela conseguirá promover. Saberemos em breve. Nos resta aplaudir a inovação urbanística e torcer para sucesso da coragem política aportada.

* Vicente Loureiro, arquiteto e urbanista, morador de Nova Iguaçu, atualmente é Conselheiro da Agetransp, a agência de transportes públicos do Estado do Rio de Janeiro

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.