Secretário de Polícia Militar pede apoio da Alerj para manter o trabalho das UPPs

março 28, 2019 /

O secretário de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro, Coronel Rogério Figueredo, pediu apoio da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para manter o trabalho das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Estado do Rio. A solicitação foi feita durante audiência pública realizada, nesta quinta-feira (28/03), para discutir o projeto de lei 4.395/18, de autoria do deputado Rosenverg Reis (MDB), que determina a extinção de todas as UPPs. Aprovado em primeira discussão na Casa, o texto recebeu 15 emendas e aguarda para ser votado novamente.

“No início das UPPs tínhamos apoio e números favoráveis. Era uma lua de mel entre a Polícia Militar, a sociedade e o Governo do Estado, mas passado os anos o projeto perdeu força. No entanto, apesar dos desafios, as Unidades de Polícia Pacificadora ainda apresentam bons resultados. Muitas áreas, por exemplo, tiveram índices de homicídio e roubos reduzidos. Por isso, é importante mantê-las funcionando, mas melhorar a forma de trabalho”, argumentou o secretário.

Entre as melhorias propostas pelo coronel está a compra de carros blindados e a troca de containers por bases fortificadas. Ele também informou que, apesar da escassez de recursos, de janeiro a março deste ano já foram apreendidos 123 fuzis pela Polícia Militar, principalmente em áreas de UPPs. “Pela média, chegaremos no final do ano com cerca de 600 fuzis apreendidos. Isso significa dizer que a cada arma apreendida oito vidas são preservadas. O trabalho feito pelos policiais nas unidades é importante, precisa ser valorizado e continuado.”

Apoio ao fim das UPPs

Para o deputado Rosenverg Reis, autor do projeto, o programa das UPPs está falido e não deve continuar. “Esse é um programa que fracassou e que teve um cunho eleitoreiro. O estado paga caro por esse projeto que não deu certo. Em nome de quem vamos manter esse projeto, quantos mais terão que morrer? Se eu desafiar o coronel e os deputados a subirem em alguma comunidade pacificada ao meu lado, com ternos e fardas, tenho certeza que não voltaremos vivos. Essa é a prova do fracasso desse projeto”, disse Rosenverg.

O parlamentar também lembrou que, atualmente, cerca de sete mil policiais estão lotados nas UPPs, e que o estado conta com um déficit de 15 mil PMs nas suas frotas. “Esses agentes poderiam estar lotados em outras áreas. Temos municípios, como Nova Iguaçu, que não tem nenhum batalhão de polícia. Isso porque estamos falando do quarto município mais populoso do Rio. Esses policiais que estão na UPPs não podem exercer o seu poder de polícia e ainda estão colocando suas vidas em risco”, afirmou.

Em resposta, o coronel disse que o Governo do Estado vai abrir 12 mil novas vagas de concurso para PM nos próximos dois anos. “Esses agentes serão lotados em batalhões operacionais e a nossa estratégia é apenas de manter o efetivo da UPP. Além disso, vamos transferir 600 policiais das UPPs para ações estratégicas da PM este ano”, informou Figueredo.

O presidente da comissão, deputado Delegado Carlos Augusto (PSD), também se mostrou favorável a extinção das UPPs. “O projeto começou com uma ideologia, mas se perdeu. Agora nós temos uma PM acuada dentro das comunidades e correndo risco. Por isso, hoje, a comissão se mostrou a favor da extinção as UPPs. Mas uma extinção gradativa, que possa proporcionar em cada UPP o seu término diferenciado com especificidade. Temos que dar o apoio para que, se ocorrer a extinção, ela seja feita da melhor forma possível e, se ela permanecer, que seja totalmente repaginada”, disse o deputado.

Histórico

As UPPs surgiram em 2008 no governo de Sérgio Cabral. Desde que foram inauguradas, foram instaladas ao todo 38 unidades, beneficiando, segundo o Governo do Estado, 1,5 milhão de pessoas. Símbolo do processo de pacificação em favelas cariocas, a 1ª UPP nasceu no Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul da capital. A última delas foi instalada na Vila Kennedy, na Zona Oeste. O projeto das UPPs chegou a ser considerado um dos mais importantes do país na área de segurança pública. No entanto, do ano passado até hoje 19 unidades já foram extintas. A decisão foi tomada com base em estudo da PM que apontava que certas unidades estavam em locais de grandes confrontos, onde as forças de segurança já haviam perdido o controle.

Também estiveram presentes na reunião os deputados Coronel Salema, Marcelo do seu Dino, Felipe Poubel e Gil Vianna, todos do PSL, Alexandre Freitas (Novo) e Márcio Pacheco (PSC).

Aloma Carvalho