Rio deve ganhar Banco Ético Latino-Americano voltado para negócios de impacto

outubro 9, 2019 /

A Aliança Global de Bancos com Valores – instituição que reúne US$127 bilhões em ativos – pretende abrir na América Latina um banco focado em investimentos com impacto social. O anúncio foi feito por um dos fundadores do grupo, o economista catalão Joan Melé, em evento do Fórum do Rio, vinculado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta terça-feira (08/10).Segundo ele, o Banco Ético Latino-Americano deve começar a operar na metade de 2020.

Em princípio, de acordo com Melé, a instituição vai reunir fundos de investimento dispostos a gerar valor estimulando empreendimentos que agreguem qualidade de vida e desenvolvimento sustentável. “Vamos investir em empresas latino-americanas que aportem valor à cultura local, no desenvolvimento social e no meio ambiente. Pode parecer pouco, mas esses três grandes setores se subdividem em quase 150 segmentos. Vamos ganhar dinheiro como resultado, mas o nosso propósito é fazer investimento em negócios com impacto positivo que melhorem a qualidade de vida e o meio ambiente”, revelou.

Banco ético

Banco ético é uma instituição financeira em que as pessoas e o planeta são mais importantes que o dinheiro. As instituições que operam sob um modelo de banco como esse se preocupam em aperfeiçoar o potencial de gerar impactos positivos na sociedade por meio do financiamento que proporcionam para empresas conscientes da responsabilidade humana e ambiental de sua atuação. São bancos que só concedem empréstimos para empresas que respeitam o meio ambiente, a cultura e a sociedade.

Joan Melé acumulou uma carreira de 40 anos em bancos tradicionais espanhóis e ao ver muitas vidas transformadas por heranças e falências, começou a se questionar sobre o melhor uso do dinheiro. Assim, começou a explorar temas que envolviam o uso consciente dos recursos financeiros e desenvolveu os bancos éticos.

“ Como o fórum propôs, e foi aprovada na Alerj a lei que cria o programa estadual de investimentos e negócios de impacto, a vinda do Joan Melé nos ajuda a fortalecer uma reflexão e mostrar quais são os caminhos possíveis, que já estão acontecendo no mundo e se conectam com esse tipo de iniciativa no Rio de Janeiro”, explicou Geiza Rocha, subdiretora do Fórum de Desenvolvimento da Alerj.

De acordo com o deputado Chicão Bulhões (NOVO), o capitalismo consciente é fundamental para a recuperação definitiva do estado do Rio por promover a união de todos os entes que têm impacto na gestão pública. “O papel do político é de unir as pontas, valorizar esses atores trazendo-os para dentro da Alerj para discutir e, eventualmente, apresentar as demandas que possam ajudar no incremento dessa atividade mais coletiva e cooperativa”, afirmou.

Aloma Carvalho