Número de geriatras não acompanha envelhecimento da população

setembro 6, 2019 /

Custo da internação por habitante no SUS, na faixa etária entre 20 e 50 anos, é em média de R$ 350 por dia; na faixa acima de 80 anos, sobe para R$ 1.400

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que haja um médico geriatra para cada mil habitantes. Mas o Brasil está muito longe disso. Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia mostram que, hoje em dia, há cerca de mil e 400 especialistas na área atuando no país. O Ministério da Saúde trabalha com número ainda menor: 869 profissionais registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde.

O descompasso entre o número de geriatras e a velocidade do envelhecimento da população foi tema de debate na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. O parlamentar que sugeriu a discussão, deputado Ossésio Silva (Republicanos-PE), salientou a necessidade de ter mais profissionais especializados. “O Brasil, infelizmente, não se preparou para envelhecer. Nós temos essa dificuldade hoje de ter profissionais qualificados para cuidar de idosos”, disse.

A coordenadora de Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde, Elizabeth Bonavigo, reconheceu a escassez de especialistas e ressaltou a importância da presença dos geriatras nas equipes multiprofissionais do programa Saúde da Família. A prevenção pode fazer a diferença na saúde dos mais velhos.

Segundo Leonardo Pitta, representante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o custo da internação por habitante no Sistema Único de Saúde (SUS), na faixa etária entre 20 e 50 anos, é em média de R$ 350 por dia; na faixa acima de 80 anos, sobe para R$ 1.400. E o tempo de internação dos mais velhos nas unidades do SUS, em média de uma semana, pode chegar a 100 dias se houver alterações de comportamento ou uma nova incapacidade.

Currículos

Para o geriatra Alexandre Kalache, do Centro Internacional da Longevidade, os currículos universitários ainda não refletem o envelhecimento do país. Segundo ele, os médicos em formação aprendem mais sobre crianças e mulheres grávidas do que sobre os idosos.

“O que a gente tem que mudar radicalmente é como a escola médica tem que formar profissionais da saúde para o século XXI, aprendendo desde anatomia, fisiologia, fisiopatologia, farmacologia, dosagem de medicamentos, apresentação de doenças. Tudo muda à medida em que uma pessoa envelhece”.

O representante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia aponta como uma das soluções para acompanhar o envelhecimento da população a criação de unidades de internação geriátrica em hospitais de média complexidade. Ele ressalta que, atualmente, não há profissionais em número suficiente para formar essas equipes especializadas.

Foto:Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.