Homenagem a Marielle Franco é realizada na escadaria do Palácio Tiradentes

março 14, 2019 /

Um ano após o assassinato de Marielle Franco, deputados da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) fizeram uma homenagem à vereadora do PSol assassinada a tiros na Região Central do Rio. No ato desta quarta-feira (14/03), foram colocados na escadaria do Palácio Tiradentes 365 girassóis, representando os dias do ano sem a vereadora, e cartazes com a pergunta “Quem Mandou Matar a Marielle?”. Ela tinha 38 anos e foi a quinta vereadora mais votada do Rio nas eleições de 2016, com 46.502 votos. Socióloga e mestra em Administração Pública, coordenou por anos a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, onde teve uma atuação marcante.

Durante 12 anos a hoje deputada Renata Souza (PSol) trabalhou ao lado de Marielle. Ela conta que sente falta do cotidiano ao lado daquela que se tornou uma amiga. “Essa mulher era força, ela era gigante. Ela falava e pronto. Marielle faz falta todos os dias, principalmente quando a gente pensa como será a nossa ação diante de uma violação. A democracia está fragilizada. Ela foi morta por sua condição de mulher na política. O que aconteceu com ela foi um feminicídio político e o Estado Brasileiro precisa responder quem mandou matá-la. A democracia merece essa resposta”, desabafou a parlamentar.

Aos 94 anos, a aposentada Maria Soares ainda encontra forças para comparecer às manifestações e homenagens realizadas à Marielle. “Sempre encontrava com ela nas reuniões do movimento negro. No dia seguinte a sua morte fiquei muito comovida e decidi participar de todas as manifestações. O que me trouxe até aqui hoje é o que me motiva sempre, continuar a luta dela”, disse emocionada. Maria afirmou, ainda, que Marielle deixou um legado que os seus assassinos não esperavam. “Eles não queriam matar uma pessoa, mas uma ideia, mas não conseguiram.”

Para a adolescente Laura Cristine de Andrade, de 13 anos, Marielle deixa o legado da luta. “Sempre acompanhei notícias de pessoas que vieram de comunidades e tentaram revolucionar o mundo e ela foi um desses casos. Marielle infelizmente não conseguiu concluir seu projeto, foi interrompida, mas mostrou para meninas como eu que a gente pode continuar os planos dela e que uma mulher deve sempre apoiar a outra. Devemos trabalhar sempre a nossa empatia e continuar lutando.”

O vereador Tarcísio Motta (PSol) reforçou que o ato é uma cobrança de justiça. “Um ano depois a gente ainda precisa ter respostas. Esses poderosos que ainda estão escondidos, covardes assassinos, não esperavam que a reação fosse essa. Eles menosprezaram a força das ideias. Não aceitaremos que esse crime não seja esclarecido. É preciso saber quem mandou apertar o gatilho. O símbolo do girassol traz a ideia da semente quente que espalha na rua e segue sendo símbolo de como iremos responder a este crime. Queremos um mundo muito melhor para todos, um mundo em que mulheres não sejam assassinadas por pensar.”

Parlamentares

Na última terça-feira (12/03), policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, acusados de terem participado dos assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes. Apesar da notícia, o líder do PSol na Casa, deputado Flávio Serafini disse que ainda faltam respostas.“Transformamos o nosso luto em luta. É preciso descobrir agora quem mandou matar Marielle e Anderson. Esse é um assassinato político e ter essa resposta é conter a barbárie que hoje avança no Brasil”, afirmou o parlamentar.

O deputado Waldeck Carneiro (PT) afirmou que o dia 14 de março tem que ser lembrado todo dia. “Não podemos parar até que se descubra quem mandou matar Marielle e por qual razão política isso aconteceu. Hoje temos a resposta de quem apertou o gatilho, mas isso não é tudo. A democracia e o estado de direito não podem ficar sem essa resposta. A luta de Marielle tem que ser a nossa luta. Marielle e Anderson vão viver para sempre.”

Já a deputada Mônica Francisco (PSol) disse que mesmo quando o caso for solucionado eles continuarão lutando até ter uma sociedade mais justa. “Marielle foi o símbolo de que não descansaremos. E mesmo quando tivermos as respostas, não nos calaremos até que mulheres e jovens não sejam mais brutalmente assassinados. Ela era gigante, não porque era alguém individualmente especial, mas porque era símbolo daqueles e daquelas que são colocados invisíveis por políticas públicas genocidas e de barbárie. Interromperam o corpo físico, mas a voz dela grita e resiste em nós.”

O mais novo deputado do parlamento, Renan Ferreirinha (PSB), conhecia Marielle e falou emocionado pela perda. “O sentimento de hoje é de saudade e de sede por justiça. A Marielle era intensa e ela faz muita falta pelo que fez e principalmente pelo que faria. O que acontece hoje aqui é o mínimo. Fica aqui a minha solidariedade e saudade da Mari.”, concluiu.

Aloma Carvalho