Governador João Doria e Prefeito Bruno Covas garantem que GP do Brasil de Fórmula 1 permanecerá em São Paulo

maio 10, 2019 /

O governador de São Paulo João Doria e o prefeito da capital paulista Bruno Covas se reuniram nesta sexta-feira, 10, e garantiram que Interlagos receberá o GP do Brasil de Fórmula 1 em 2020 e que a cidade não abrirá mão de renovar o contrato com a principal categoria do automobilismo. As declarações , segundo Veja, são uma resposta ao discurso do presidente Jair Bolsonaro, que na última quarta-feira anunciou a transferência do evento para o Rio de Janeiro já a partir do ano que vem.Doria citou “razões jurídicas, tradicionais e econômicas” para que o evento siga em São Paulo. “O GP do Brasil é em Interlagos e seguirá assim. Se o Rio quiser ter Fórmula 1, vai ter de disputar com São Paulo e posso garantir que temos mais chances”, afirmou, em entrevista no Palácio dos Bandeirantes.

O prefeito Bruno Covas ressaltou que a Prefeitura de São Paulo tem contrato com a Liberty Media, empresa americana que gere a F1, até dezembro de 2020, e que uma nova reunião está marcada para junho, para negociar a renovação. “Ficaria muito surpreso com uma não renovação”, disse. Covas negou veementemente as declarações de Bolsonaro de que o Rio assumirá o evento pois, caso contrário, “a F1 deixaria o Brasil”.

“Nunca tivemos resistência. Fomos pegos de surpresa, já que o contrato não vence este ano e, portanto, estamos dentro do prazo”. Covas, que ao contrário de Doria não apoiou Bolsonaro nas últimas eleições, acredita que o presidente foi “levado ao erro”. “Não há razão para acreditarmos que essa tradição será quebrada”, completou Doria.

‘Bolsodoria’ segue firme

O governador João Doria, no entanto, quis evitar qualquer tipo de animosidade tanto com Bolsonaro, de quem disse ter recebido uma mensagem de áudio “muito simpática” na noite anterior, quanto com o governador Wilson Witzel e o prefeito Marcelo Crivella, que anunciaram a mudança da Fórmula 1 para o Rio em conjunto.

“Bruno e eu nada temos contra o Rio de Janeiro, muito menos com essas pessoas amigas.”, disse. “O presidente me disse que não tem nada contra São Paulo, apenas quis ajudar, e eu acredito nisso, mas essa é uma decisão que cabe aos promotores. Não há nenhuma razão de afastamento ou arranhão”, garantiu Doria, que revelou que irá se encontrar com Bolsonaro na próxima quarta-feira, 22, em Dallas, nos Estados Unidos.

Os governantes paulistas, no entanto, negaram a possibilidade de dividir a sede do GP de Fórmula com o Rio de Janeiro. “Essa é uma decisão dos promotores, não cabe a nós pensar em alternar. Mas pela minha experiência, acredito que economicamente seria ruim e suponho que nem mesmo os pilotos aprovariam, pelo fato de já estarem acostumados com o traçado da pista”, disse Doria.

Na última quarta-feira, 8, Bolsonaro assinou, durante evento no Rio de Janeiro, um termo de cooperação para que um novo autódromo seja construído em um terreno do Exercito no bairro de Deodoro, na Zona Oeste, e passe a receber o GP do Brasil de Fórmula 1 já a partir de 2020. O novo circuito receberá o nome de Ayrton Senna, em homenagem ao tricampeão morto há 25 anos, revelou o presidente.

Segundo Doria, o local não tem condições de receber a Fórmula 1 em um ano e meio. “Não tem nada em Deodoro. Como é possível imaginar que um investimento que não existe vá virar um autódromo aprovado pelos promotores da F1 para organizar o evento já em 2020? Algo não orna nesta história.” Doria e Covas informaram que os trâmites para que Interlagos seja privatizada, num acordo de concessão, seguem em andamento.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.