Ex-presidente Michel Temer e Moreira Franco são presos pela Polícia Federal

março 21, 2019 /

Ex-ministro Moreira Franco também foi preso na operação

Agentes da Força-tarefa da Lava Jato prenderam, na manhã desta quinta-feira (21), Michel Temer, ex-presidente da República. Além dele, as equipes prenderam também o ex-ministro de minas e energia, Moreira Franco. Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

A ação é um desdobramento da A Operação Radioatividade, a 16ª fase da Lava-Jato.

Michel Temer responde a dez inquéritos, sendo que cinco deles tramitavam no Supremo Tribunal Federal (STF), pois foram abertos à época em que era presidente da República e, por conta disso, foram encaminhados à primeira instância depois que ele deixou o cargo. Os outros cinco foram autorizados pelo ministro Luís Roberto Barroso este ano, já que Temer não tinha mais foro privilegiado.

Entre outras investigações, Temer é um dos alvos da Lava Jato do Rio. O caso é referente a denúncias do delator José Antunes Sobrinho, dono da Engevix. O empresário disse à Polícia Federal que pagou R$ 1 milhão em propina, a pedido do coronel João Baptista Lima Filho (amigo de Temer), do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do presidente Michel Temer. A Engevix fechou um contrato em um projeto da usina de Angra 3.

MDB Lamenta

Em nota, o MDB – partido do ex-presidente da república, Michel Temer- lamentou a decisão do STF. “O MDB Lamenta a postura adoça da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidades por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. o MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contrário e o direito de defesa”, diz o texto.

“Temer é o líder da organização criminosa”>/strong>

O Juiz Federal Marcelo Bretas afirmou que a decisão da prisão de Temer é “convincente” sobre a conclusão de que o ex-presidente seria o líder da organização criminosa.

Após a delação de José Antunes Sobrinho, foi identificado um sofisticado esquema criminoso para pagamento de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consulta Ltda e Engevix para a execução do contrato do projeto de engenharia eletromecânica da usina nuclear 3.

Na investigação são apurados crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro em razão aos possíveis pagamentos ilícitos ao grupo criminoso liderado por Michel Temer a pedido de Sobrinho.

As investigações apontam que a organização praticou crimes envolvendo vários órgãos públicos e empresas estatais no valor de mais de R$ 1 bilhão e 800 milhões. E mostra, ainda, que diversas pessoas físicas e jurídicas continuam recebendo, movimentando e ocultando valores ilícitos. Com pagamentos pendentes ao longo dos próximos anos.

Aloma Carvalho