Ex-presidente do Peru, Alan García se mata após ser acusado de receber US$ 100 mil da Odebrecht

abril 17, 2019 /

Ele tentou se suicidar após policiais entrarem para detê-lo

Nesta quarta-feira (17), Alan García, ex-presidente do Peru, de 69 anos, se suicidou com um tiro na cabeça quando policiais tentaram prendê-lo em sua residência. García era acusado de estar ligado a uma investigação sobre suborno no caso relacionado à construtora brasileira Odebrecht. Ele chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu.

A Justiça peruana havia pedido a prisão preventiva de García por dez dias. A acusação era de que ele teria recebido subornos da empresa durante seu segundo mandato, entre 2006 e 2011 (o primeiro havia sido entre 1985 a 1990). O pagamento ilegal teria relação com um projeto de metrô em Lima, capital do país, segundo informações levantadas durante as investigações da Operação Lava Jato e seus desdobramentos.

Entre as suspeitas contra García, estavam o recebimento de US$ 100 mil da Odebrecht por uma palestra dada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em 2012. O pagamento pela palestra não teria sido feito diretamente pela Odebrecht, mas por um intermediário, o advogado brasileiro José Américo Spinola, que fez delação premiada no Brasil. O fato foi relatado pelo executivo da Odebrecht Marco Grillo, em depoimento para a promotoria peruana em fevereiro deste ano, em Curitiba.

Lava Jato no Peru

O suicídio do ex-presidente García é mais um capítulo do escândalo da Odebrecht no Peru, investigado pela Equipe Especial Lava Jato no país. A Odebrecht admitiu ter pago US$ 29 milhões de propina no Peru, entre 2005 e 2014, em troca da obtenção de contratos. As suspeitas de corrupção englobam quatro ex-presidentes do país.

Em fevereiro deste ano, a empreiteira assinou um acordo de colaboração com os promotores da Lava Jato no Peru, onde forneceria informações e pagaria obrigatoriamente uma indenização de cerca de US$ 230 milhões. A Odebrecht admitiu, ainda, ter pago propinas em mais dez países, na África e América Latina, em um total de US$ 788 milhões.

Aloma Carvalho