Em Queimados, Educação e amor de mãe para superar as barreiras do autismo

maio 10, 2019 /

Conheça a vida de Suelene e Brayan, que vivem uma transformação após ingressarem na educação especial da rede pública de ensino de Queimados

Tarefas como levar o filho à escola ou a uma consulta médica podem ser consideradas simples para a maioria das mulheres, mas para a jovem Suelene Barbosa (33), o desafio é bem maior. Mãe de Cindy (14) e do pequeno Brayan (7), a dona de casa enfrenta diversos obstáculos diariamente para garantir o pleno desenvolvimento do caçula, diagnosticado com autismo aos dois anos de idade. Fonoaudiólogos, neurologistas e salas de recursos fazem parte da agenda que impulsiona a vida do menino.

Pequenos avanços como andar, comer sozinho ou conviver com outras crianças foram, aos poucos, testemunhados pela família. Por recomendação médica, Suelene decidiu abandonar o emprego numa loja para se dedicar exclusivamente aos cuidados que a maternidade especial requer e, assim, contribuir ativamente para a melhora de filho.

“Depois que parei de trabalhar ele começou a se desenvolver bastante, pois a minha prioridade é o prosseguimento das habilidades dele. Hoje ele está muito mais falante, melhorou aspectos de memória e é bem mais sorridente. Tento levar as atividades do dia de acordo com a disposição dele, mas as cobranças são as mesmas de uma criança dita normal”, conta a mãe.

Educação como parceira no desenvolvimento

Matriculado numa escola particular quando tinha dois anos, Brayan não apresentava sinais de aprendizado. Por isso, Suelene foi aconselhada a transferir o menino para uma das escolas municipais de Queimados, que conta uma estrutura favorável à socialização de estudantes com necessidades especiais, como por exemplo, a presença de com 52 cuidadores distribuídos entre as 30 escolas e três creches da rede.

De acordo com a mãe, o apoio de Cindy (14) foi essencial para a boa adaptação do menino, já que a adolescente também mudou de escola para acompanhar de perto o irmão caçula. “Minha filha estudava no Centro e ele numa escola particular. Quando pensei nesta mudança, ela se propôs a estudar na mesma unidade e ampliar esse cuidado. Confesso que tinha receio de tirá-lo da rede privada, mas ele estava estagnado. Hoje vejo todos os dias que tomei a decisão certa, pois a equipe da educação nos acolheu como uma verdadeira família. Ele é feliz aqui na Nelson Carneiro”, declarou emocionada.

A rotina começa logo cedo na casa da família Silva: por volta das 6h da manhã, Suelene acorda os filhos para levá-los até a Escola Municipal Senador Nelson Carneiro, localizada no bairro Três Fontes, onde Bryan cursa o 2º ano do ensino fundamental e participa das atividades de uma das 17 salas de recurso oferecidas pela Prefeitura de Queimados na rede municipal de ensino. Duas vezes por semana, os alunos com deficiência e/ou transtornos de desenvolvimento interagem em ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos que proporcionam condições de acesso, participação e aprendizagem.

“Aqui ele brinca, desenha, pinta e conta histórias. É notório o avanço que o Brayan apresenta desde que começou a frequentar a sala. Além de escrever o nome dele, da família e das professoras, ele agora escolhe os livros que quer folhear, como o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que temos trabalhado durante os encontros”, afirmou a psicopedagoga Márcia Moura.

Estima-se que 1% da população no Brasil tenha transtorno do espectro autista (TEA), que tem causas desconhecidas e gera uma série de consequências no desenvolvimento. Por meio da inclusão e do diagnóstico precoce, porém, os pacientes podem usufruir de uma boa qualidade de vida. Esse processo, que abrange incontáveis pequenas vitórias, transformou Suelene, que hoje afirma ser grata por detalhes que geralmente passam despercebidos para outras mães.

“Gestos simples, como o sorriso dele e o contato visual – que tem melhorado gradativamente – são coisas que tenho percebido com muita alegria no cotidiano. Se eu tivesse que escolher um momento preferido no dia, é o acordar do Bryan. Ele sempre diz ‘Bom dia, família. Já amanheceu e está sol. ’ Isso sempre seguido de um lindo sorriso que vale todo o esforço que faço por nossa família”, concluiu ela contente.

 

Fotos de Thiago Loureiro/Divulgação/PMQ

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.